Foi a primeira loja da Primark a abrir em Portugal e ganha agora mais de mil metros de área de compra, num momento em que o retalho se debate com quebras de tráfego nos centros comerciais e faturação na reabertura depois da pandemia. A loja da cadeia virou uma mega lojas com mais de 4 mil metros quadrados.
"Portugal é um mercado importante para a Primark", garante Nelson Ribeiro, area manager da Primark em Portugal, em entrevista por escrito ao Dinheiro Vivo. O responsável não adianta, no entanto, valores de investimento nesta aposta da cadeia no mercado nacional, onde a cadeia também, depois do fecho das lojas, também aderiu ao mecanismo de lay-off simplificado, a 1 de abril.
Não são conhecidos detalhes sobre o impacto financeiro da pandemia na operação da cadeia em Portugal, mercado onde tem 10 lojas e mais de 1600 trabalhadores. Mas, as contas da Associated British Foods, a dona da Primark, conhecidas em julho dá conta do impacto da pandemia. Com todas as cerca de 400 lojas fechadas, a companhia registou perdas mensais na ordem dos 650 milhões de libras por mês, tendo cancelado todas as encomendas a fornecedores a partir de 17 de abril, tendo reduzido em cerca de 50% os custos operacionais durante o período do fecho.
Desde a reabertura das primeiras lojas a 4 de maio, globalmente as vendas acumuladas até 20 de junho rondavam os 322 milhões de libras, menos 12% do que há um ano. A pandemia atrasou o plano de aberturas para a segunda metade do ano, mas no segundo trimestre a cadeia abriu cinco lojas - Bélgica, Alemanha, Reino Unido e França - sendo esperado cinco novas lojas (EUA, Polónia, França), bem como expansões de já existentes, como é o caso da loja no Ubbo e Málaga, em Espanha.
Com a reabertura, as compras a fornecedores também aumentaram, com a cadeia a fazer encomendas na ordem dos 800 milhões de libras para a coleção outono/inverno, valor que pode atingir mais de mil milhões de libras.
"O nosso negócio enfrentou desafios extraordinários, no entanto, com a Primark a operar novamente, a nossa perspetiva para o total do ano é positiva", diz Nelson Ribeiro.
Depois da loja do NorteShopping decidiram expandir a vossa primeira loja em Portugal. Que novidades vão ser introduzidas na Primark no Ubbo? Vai obedecer ao novo conceito de loja?
A experiência em loja tem um papel fundamental em diferenciar a Primark dos seus concorrentes e em inspirar e envolver os clientes no nosso conceito. A loja terá mais 1.300m2 de espaço de loja, passando a contar com uma área total de mais de 4.900m2. A loja terá as últimas tendências em moda feminina, masculina e infantil, incluindo calçado e acessórios, para além de lingerie, beleza e artigos para casa. Os clientes também podem comprar as linhas de produto da Primark fabricadas com materiais sustentáveis, reciclados e orgânicos. Estas linhas fazem parte da iniciativa Primark Cares, que é o compromisso da Primark em ser um retalhista responsável e em oferecer aos clientes uma vasta gama de produtos fabricados com materiais mais ecológicos.
Que investimento isso implicou? Vai obrigar a reforço de pessoal?
Portugal é um mercado muito importante para a Primark e esta é a nossa segunda expansão de loja neste mercado; a primeira delas foi a loja do NorteShopping no ano passado, que foi ampliada em 50%. Estamos entusiasmados com a expansão da nossa loja Ubbo e estamos ansiosos para receber os nossos 155 colegas.
Expansão surge num momento em que na reabertura das lojas, depois do Estado de Emergência, está a revelar fortes quebras de faturação, segundo a Associação de Marcas de Retalho e Restauração, na ordem dos 40%. O que motivou esta aposta nesta fase?
Tal como os nossos concorrentes, estamos a atravessar um período extraordinariamente desafiante e incerto. No entanto, o mercado português é muito importante para nós, e estamos comprometidos com os nossos clientes e em proporcionar-lhes a melhor experiência em loja.
Nos centros comerciais regista-se quebras de tráfego acentuadas. Como se tem refletido na Primark?
A reabertura das lojas correu bem. A nossa decisão de reabrir as lojas foi tomada de forma muito cautelosa e de acordo com as orientações do governo. Não há nada mais importante para nós do que a segurança e o bem-estar dos nossos clientes e colaboradores, e acreditamos que adotámos as medidas corretas para garantir a sua segurança.
Embora o que mais desejemos seja o regresso de todos os clientes às nossas lojas, compreendemos que levará algum tempo até que ganhem confiança e se sintam seguros.
Esperamos que os nossos clientes entendam que a nossa principal prioridade é ajudar a garantir a sua segurança e a dos nossos colaboradores, que continuam a demonstrar uma resiliência incrível e uma verdadeira dedicação enquanto trabalham neste período de crise.
O fecho de lojas levou à incapacidade de escoar stock. Como é que na companhia estão a enfrentar este tema? Que medidas levaram a cabo para realizar vendas nesta fase de reabertura?
Analisámos cuidadosamente o nosso stock e estamos a seguir a nossa abordagem normal quando as nossas lojas reabrem, a comercializar os nossos produtos primavera/verão com a excelente relação qualidade/preço de sempre. Para além das coleções de moda para a estação, grande parte da nossa oferta é produto de continuidade, como as calças de ganga, t-shirt’s, roupa interior e outros básicos, que não dependem da estação.
Portugal é um mercado importante para a Primark e atualmente temos 10 lojas no país. Como a Primark opera sob uma empresa cotada em bolsa, não comentamos especulações sobre futuras aberturas de lojas.
Que impacto a inclusão de área de beleza na loja do NorteShopping trouxe aos resultados da loja no NorteShopping? A estratégia passa por incluir mais esses espaços?
O Beauty Studio tem sido um sucesso. É importante proporcionar aos nossos clientes uma experiência de loja de excelência e esperamos continuar a experimentar e a testar novos conceitos no futuro em todos os mercados, incluindo Portugal.
À semelhança de outras cadeias recorreram ao lay off simplificado na altura do fecho de lojas.
Passámos os colaboradores afetados para o regime de Lay-off do governo até iniciarmos os preparativos para reabrir as nossas lojas, de acordo com as orientações do governo. Os nossos colaboradores são fundamentais para o sucesso do nosso negócio e estamos orgulhosos da resiliência e dedicação que demonstraram nos últimos meses, enquanto navegávamos juntos por esse território desconhecido. Este apoio do governo permitiu-nos proteger os meios de subsistência dos nossos colaboradores e significou que poderíamos impedir despedimentos nesse momento. Todos os colaboradores afetados já regressaram ao trabalho.
Lay-off, moratórias de rendas foram algumas das medidas levadas a cabo para apoiar a economia e também o retalho. Que outras sugere para ajudar a retoma do sector?
O setor retalhista está a atravessar um período extraordinariamente desafiante e incerto. Para a Primark, o apoio do governo permitiu-nos proteger os meios de subsistência dos nossos colaboradores e acredito que ajudou várias empresas do setor. Somos uma marca forte e resiliente, com uma base de clientes fiéis e as pessoas e recursos certos para enfrentar os desafios futuros.
Tem havido debate entre lojistas e centros sobre o tema das rendas. Estão a negociar com os centros este tema? Já fecharam acordos?
Desde que todas as nossas lojas fecharam em março, a Primark tem estado envolvida em discussões construtivas com os nossos proprietários para acordar termos que reflitam a taxa de aluguer do mercado atual e a duração dos horários de encerramento das lojas durante a pandemia covid-19.