"Publicidade e boca-a-boca fazem crescer a confiança no OLX"

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Miguel Mascarenhas, 31 anos, fundador da FixeAds, que gere o OLX e fundou o

Standvirtual, Imovirtual, Coisas.com e Leilões.net, explica o que fez do

OLX uma marca que cresceu 100%, em seis meses. Mais noticiário aqui.

O OLX anda na boca dos portugueses?

De

facto, o OLX cresceu 100% em seis meses. Temos cerca de 4,5 milhões de

visitas únicas por mês, que é quase a audiência total da população

portuguesa que visita os nossos sites. Temos um grande acréscimo de

pessoas que colocam produtos à venda. Em agosto eram cerca de 8 mil/10

mil anúncios de objetos para venda por dia, hoje já são mais de 20

mil anúncios por dia. Em média, são inseridos no OLX 175 mil novos

anúncios por semana, o que resulta em média em 71 milhões de

visualizações por semana. A seção de emprego é a 4.ª mais vista do

portal em Portugal, depois das seções Apartamentos, Animais Domésticos e

Carros e Motos.

Seis meses depois da entrada deste site de classificados na FixeAds, o OLX é uma aposta ganha?

A

FixeAds foi criada em 2007. Tínhamos o Standvirtual, lançámos o

Leilões, o Coisas e o Imovirtual , em 2012, deu-se a oportunidade de

representarmos o OLX em Portugal. O Naspers, um grupo internacional com presença

em 90 países, sendo grande no Brasil, Índia, África do Sul, queria

investir em Portugal, mas não tinha equipa local. Com a experiência da

FixeAds, vimos que, dando uma parte do nosso capital, podíamos ficar com o

OLX. Depois, fizemos uma campanha de publicidade completamente localizada. Fomos buscar a Lena

D'Água, que fazia parte da proposta criativa da agência JWThompson. A

Ideia: "Tem muitos mais dinheiro guardado em casa do que imagina".

Associado à publicidade funcionou o boca-a-boca que cresce e dá

confiança às pessoas.

E a tendência é continuar a crescer?

Se

olharmos para países como a Alemanha, Holanda ou países mais nórdicos, a

utilização dos classificados online é muito superior. Temos espaço para crescer e tocar mais

portugueses, tornando-se muito comum como ver os jornais e fazer

pesquisas.

Havendo esse espaço para crescer. Qual é o vosso próximo passo?

Estamos

a crescer a uma média de 10% a 15% ao mês, o que é muito bom, em termos

de receitas publicitárias. A FixeAds faturou 1,6 milhões de euros em

2010, 2,6 milhões, em 2011, e 3,2 milhões de euros, em 2012. Num

espaço de seis meses a um ano, duplicámos o número dos nossos

colaboradores, de 36 para 74. Fazemos o controlo pro-activo dos

anúncios, vemos se estão dentro das categorias e parâmetros corretos,

bem escritos, têm informações necessárias, tudo para dar confiança às

pessoas. Neste sentido, no OLX

aconselhamos as pessoas a encontrarem-se umas com as outras para efetuar

a transação. No Coisas existe um sistema de reputação, que permite ter

histórico do utilizador e perceber se é alguém em quem se pode confiar.

O que é que as move as pessoas a colocar anúncios online?

Trabalhamos

há muitos anos em sites de classificados, de produtos em 2.ª mão mas com valor. Há 4 ou 5 anos não havia tanto essa

necessidade, as pessoas não olhavam para um telemóvel ou sofá usado como

uma fonte possível de rendimento e hoje já acontece. O facto de termos

passado a mensagem durante algum tempo de forma tão explícita também

ajudou a tornar-se uma forma de lifestyle ou forma de vida aceitável. Nos

anos 90 havia dinheiro para comprar bens novos. Agora as pessoas, com menos dinheiro, pensam

mais, além de que surgiram os smartshopers, as pessoas que olham para o

melhor preço, tentando comprar a

metade ou um terço do preço um bem que ainda satisfaz as necessidades.

É possível estabelecer um perfil de consumidor que pode também ser vendedor?

Depende

do que se procura. Se forem carros, é mais masculino, se for vestuário,

são as mulheres que fazem mais transações. Há pessoas novas a trocar mais

gadgets ou utensílios tecnológicos, ou para quem está a mudar de casa e

já não precisa dos móveis, que ainda estão relativamente novos. Mas

também há mais velhos (50-60 anos), pois é um consumidor/vendedor com mais tempo

disponível para colocar os bens à venda.

E é mais no Leilões.net ou no OLX?

O

objetivo do OLX é ser um mercado C2C (consumer to consumer), um

consumidor que vai vender a outro consumidor, tentando arranjar boas

oportunidades na sua região. Enquanto o negócio dos leilões de vendas

online, é de de âmbito nacional e tem pequenas empresas ou até mesmo

individual que, um pequeno stock, põem à venda no online.

Desmistificámos a necessidade de vender bens online.

Mas os leilões implicam uma transação mais demorada?

Quando

lançámos o Leilões.net, em 2007, cerca de 50% das pessoas compravam em

leilão e outras usavam a opção de "comprar já", agora cerca de 80% já é

"comprar já" e muito poucas pessoas com opção de "leilão". Daí termos

mudado o nome de Leilões.net para Coisas.pt. Reparamos que as pessoas querem ter o

objeto no dia seguinte e não esperar cerca de uma semana pelo que o

leilão termine.

Em termos de valores de faturação?

No

leilões de coisas conseguimos saber, enquanto no OLX já é mais difícil

porque a transação é feita entre pessoas que se encontram depois

fisicamente, desconhecendo muitas vezes se a venda foi feita. No

Coisas.pt temos mais de mil transações por dia com sucesso.

E no Standvirtual?

Não

havendo a opção de obter financiamento a 100% para aquisição de carros, o Standvirtual funciona como um local onde é possível encontrar oportunidades de veículos usados, que tanto dá para os stands como para as pessoas fazerem upgrade. Temos cerca de 850 mil visitantes por dia, 2,5

milhões de visitantes únicos por mês.

E no Imovirtual, a lógica é a mesma?

Quando

o lançámos em 2011, vimos na crise uma oportunidade para o arrendamento.

Daí que a procura esteja vocacionada para essa busca. A necessidade de ter

uma casa mantém-se, independentemente da crise e as pessoas precisam de

encontrar boas opções. O Imovitual

permite tanto a particulares como agências colocarem os imóveis no site.

Como funciona a remuneração destes sites?

Quem

coloca uma viatura à venda no Standvirtual, por exemplo, durante duas

semanas paga 6 euros. No Coisas/Leilões se a transação for bem sucedida,

o vendedor paga 5,5% sobre o bem transacionado. No Imovirtual ainda

estamos em fase de crescimento, pelo que o anúncio é completamente

grátis quer para quem procura e quem anuncia, assim como também no OLX. Mas cada

um dos sites tem outras formas de rendimentos através de anúncios em

destaque na 1.ª página, no topo das pesquisas, realçá-los com uma cor

diferente.

Há algum a canal que vos falte no portefólio?

Não está nada para já nas nossas prioridades. No OLX temos uma categoria de Emprego, que

tem vindo a ser melhorada, está adaptada para receber os CV em anexo. Temos apostado na melhoria de

cada produto. Por exemplo, no Standvirtual é possível comprar uma

extensão de garantia para o carro, através de parceria. No Coisas lançamos espaço onde as marcas podem ter lojas

online e quase 100 mil visitantes/dia. Para cada um dos sites criamos

uma versão móvel. E diariamente, a nossa equipa de programadores e

administradores de sistemas lançam novas funcionalidades.

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