REN paga sete milhões de euros para criar operador ibérico de electricidade

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O operador ibérico de electricidade, a entidade que irá gerir o Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL) - o local onde as empresas portuguesas e espanholas vendem e compram energia eléctrica em conjunto - vai ser uma realidade já a partir de Setembro deste ano. A garantia foi dada ao Dinheiro Vivo pelo presidente do o operador português do MIBEL, José Carvalho Netto. "Estão apenas a faltar algumas partes mais burocráticas, como os registos nos notários, pelo que em finais de Setembro deve estar tudo pronto", explicou.Em processo está a integração das duas empresas hoje existentes. A portuguesa, que se chama OMIP e gere o mercado de futuros, uma bolsa onde se compra electricidade para um período específico no tempo e que serve como segurança de abastecimento para os comercializadores, como por exemplo a EDP. E ainda a empresa espanhola, que se chama OMIE e que gere o mercado diário, onde se compra electricidade todos os dias para satisfazer as necessidades imediatas.A partir de Setembro, as duas empresas estarão integradas numa só - chamada OMI (Operador do Mercado Ibérico) - uma entidade que terá um conselho de administração conjunto e que será participada em partes iguais pela empresa portuguesa e espanhola. Será também nessa data que a Redes Energéticas Nacionais (REN) - a principal accionista do OMIP, com 90% - terá de pagar, ao operador espanhol, os cerca de sete milhões de euros necessários para a criação do operador ibérico. "Para se proceder à integração das duas empresas foi necessário avaliá-las e os bancos concluíram que companhia espanhola valia mais que a portuguesa, pelo que Portugal terá de dar uma quantia a Espanha", explicou ao Dinheiro Vivo, Carvalho Netto.No entanto, até 2015, a empresa espanhola está impedida de distribuir esse dinheiro como dividendo aos accionistas, ressalvou ainda o presidente do OMIP, lembrando ainda que, de acordo com a legislação que criou o operador, a REN terá de vender 80% da sua participação no OMIP porque, segundo os novos estatutos só poderá ter 10% da empresa. A procura dos novos accionistas compete à REN, mas segundo Carvalho Netto há vários interessados, desde bancos (afinal estamos a falar de um activo financeiro) até empresas da área de energia, como a Rede Energética Espanhola (REE) ou a Galp e a EDP, ambos considerados por Carvalho Netto como "compradores naturais". A criação de um operador ibérico foi decidida para "dar maior eficácia ao MIBEL e não ter os seus dois operadores a puxar cada um para seu lado". Além disso, foi também para se criar um mercado regional dentro da União Europeia, permitindo assim aumentar a electricidade disponível para ambos os países.Portugal contribui com a electricidade produzida nas centrais a gás, a fuelóleo e a carvão e ainda nas barragens e eólicas. E Espanha entra com a electricidade produzida nas centrais, nas eólicas e também no nuclear. Por norma, Espanha contribui com mais energia eléctrica porque tem mais produção (o nuclear ajuda bastante neste caso) e como tal, a electricidade acaba por ser mais barata, pelo que, no mercado ibérico, Portugal também tem a oportunidade de comprar electricidade mais barata o que se pode traduzir em preços mais baixos para os consumidores. Contudo, no futuro, com o crescimento das barragens, Portugal terá mais produção eléctrica e por isso será mais auto-suficiente, "não precisando de libertar divisas a comprar carvão e fuel para as centrais" nem de recorrer tanto ao mercado ibérico. Já hoje, num normal mês de Janeiro e Fevereiro, as barragens e as eólicas já cobrem 2/3 das necessidades portuguesas de electricidade, rematou Carvalho Netto.

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