A cada vez maior sensibilidade dos empresários a
qualquer aumento de custos levou a Associação Portuguesa de
Leasing, Factoring e Renting (ALF) a criar um manual que define de forma
cirúrgica os danos considerados aceitáveis ( e cuja reparação não
é paga) quando chega o momento de devolver o carro à empresa de
renting, numa altura em que se contam quase 107 mil viaturas neste
sistema de aluguer.
As regras gerais do renting preveem que no final do
contrato o carro seja sujeito a uma inspeção por parte de uma
entidade independente. E estipulam também que a existência de
determinados danos seja cobrada ao cliente, a não ser que se esteja
perante o desgaste considerado normal para os 4 ou 5 anos de
utilização do veículo.
No manual agora editado consideram-se admissíveis (e
por isso não cobrados ao cliente) os riscos ou arranhões com
comprimento até 2 centímetros, uma amolgadela (por painel) que não
exceda os 10 milímetros de diâmetro ou ainda marcas resultantes do
impacto de pedras que não afetem mais de 25% do painel.
Já os sinais de corrosão ou de ferrugem, a os dados
causados por granizo ou colocação de antena ou pneus com rasto
inferior ao mínimo legal são considerados danos não admissíveis.
Nos para-brisas e vidros são aceites até um máximos
de dois danos desde que estes não afetem a visão do condutor e fora
da zona das escovas, mas as fissuras serão cobradas.
Este manual surge, segundo referiu ao Dinheiro Vivo
António Oliveira Martins, vice-presidente da ALF, sobretudo para
prevenir desentendimentos entre empresas de renting e clientes.
Apesar da crise, não se tem verificado uma subida do nível de
conflitualidade, ainda que António Oliveira Martins refira que as
empresas estão muito mais sensíveis a qualquer custo adicional do
que sucedia antes da crise.
Atualmente o renting mobiliza cerca de 107 mil
viaturas, no valor de 1,53 mil milhões de euros. Deste total, 12.137
carros corresponde a contratos realizados em 2012 - número ainda
assim inferior ao registado em anos anteriores. No primeiro trimestre
a quebra rondava os 30%, sendo, ainda assim inferior à redução da
venda de carros novos.