REPOP World, o jogo português de colecionáveis que usa blockchain

Seis estudantes do Instituto Superior Técnico criaram um jogo que permite colecionar figuras da cultura pop e utilizar a tecnologia blockchain.
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Não é segredo que a tecnologia de blockchain pode ter várias aplicações, em diversos setores, incluindo o mundo dos jogos. O jogo REPOP World é um exemplo português da utilização de blockchain no mundo dos jogos, criado por seis estudantes do Instituto Superior Técnico.

Comecemos primeiro pelo conceito do REPOP, um verdadeiro híbrido entre o mundo da cultura e referências pop e a tecnologia blockchain – ou melhor, com a plataforma Ethereum, que cria uma plataforma descentralizada para transações. Neste jogo, tudo parte da premissa de que o planeta Terra foi destruído e de que é necessário repovoar Marte, utilizando alguns POPs que conseguiram escapar ao desastre da Terra.

Os POPs são as pequenas figuras que podem ser colecionadas e clonadas no jogo, que podem assumir a forma de múltiplas personalidades: Donald Trump, Barack Obama, Cristiano Ronaldo ou Elon Musk. Estas foram, aliás, os primeiros POPs criados para o jogo.

Nesta novo repovoamento do planeta Marte, cada POP só pode pertencer a um jogador, mas é possível clonar e cruzar as personalidades que quiser. Por isso, é totalmente possível utilizar o algoritmo único do jogo para que Barack Obama e Donald Trump possam originar um novo POP.

A equipa responsável pelo jogo, que neste momento está numa fase inicial, destaca a faceta de aprendizagem na criação deste REPOP: “O REPOP é o primeiro jogo de crypto-collectibles em Portugal, mas mais do que isso é uma demonstração de execução de um projeto do príncipio ao fim, por estudantes universitários”, explica Alexandre Gordo, um dos responsáveis por este jogo.

Com uma equipa de seis pessoas (Alexandre Gordo, Luís Freitas, Inês Urbano, Miguel Amaral, Gonçalo Costa, Tiago Rechau), os estudantes e ex-alunos do mestrado em Engenharia Informática e de Computadores do Instituto Superior Técnico dizem sempre ter sentido “curiosidade em explorar novas áreas inovadoras a nível tecnológico”.

Como explica ao Dinheiro Vivo Alexandre Gordo, “em fevereiro decidimos juntar um grupo de amigos para criar um projeto simples como experiência de aprendizagem”, muito graças à existência de jogos como o Cryptokitties ou o CryptoCelebrities no panorama internacional, que permitem criar gatos ou colecionar celebridades, respetivamente.

Além de se poder entrar em leilões para colecionar POPs originais, ainda é possível ter os clones, que resultam do cruzamento entre as personagens – é daí que pode ter, por exemplo, o “filho” entre Elon Musk e Barack Obama. As transações são feitas através da Ethereum, recorrendo a carteiras digitais, o que também garante o anonimato dos jogadores.

Segundo Alexandre, foi escolhida a plataforma Ethereum pela possibilidade de “escrita de smart contracts que, muito simplificadamente, proporcionam um maior nível de confiança nas transações e negociação online sem a necessidade de recorrer a uma entidade central”.

Frisando que o jogo e a comunidade de jogadores ainda está numa fase inicial, a equipa diz estar “bastante contente com o feedback até agora”. “As pessoas acham piada ao conceito de clonar celebridades para gerar “filhos” engraçados e começamos a criar uma comunidade de jogadores interessados”, explica Alexandre.

Para o futuro, a equipa diz estar “focada principalmente na angariação e retenção de jogadores. Além disso continuamos a produzir melhorias no produto e criação de novos personagens.” Para que haja mais POPs disponíveis para leilão, a equipa continua a fazer chegar mais personagens ao jogo, que são desenhadas pela equipa. “Tentamos escolher pessoas icónicas, polémicas ou simplesmente interessantes. Começamos também a receber solicitações dos próprios jogadores que gostariam de ver o seu ator ou atriz preferido no REPOP”, diz o porta-voz da equipa.

Caso haja possibilidade de expansão, a equipa não descarta a possibilidade de dar mais ação ao mundo dos POPs e ir além dos colecionáveis. "Se o conceito tiver realmente algum sucesso, temos planeada a expansão da jogabilidade para, possivelmente, um jogo de estratégia usando os mesmos POPs ou aumentar a possibilidade de ações e características dos mesmos", explica Alexandre Gordo.

"Muitas empresas começam a tentar entender o conceito [de blockchain] e como aplicar às suas respetivas áreas de interesse, incluindo na indústria dos jogos, que está muito presente na cultura. Grandes companhias como Ubisoft começam a tentar perceber como estender esta tecnologia aos seus produtos e a criação de jogos com micro-economias embutidas pode ser já o próximo passo", diz a equipa, quando se passa para um espetro mais global da utilização da tecnologia de blockchain.

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