Sustentabilidade é uma grande palavra, mas tem uma relevância ainda maior na sociedade. Sabemos que enfrentamos desafios relacionados com o consumo excessivo de recursos naturais. E a solução passa também pelo aumento da sustentabilidade. Principalmente se tivermos em mente que a sustentabilidade é a chave para manter as nossas necessidades atuais, sem colocar em causa a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Para tal, é essencial prever o uso eficiente de recursos materiais e a diminuição do desperdício de forma a reduzir o impacto ambiental. E cada um de nós pode ser parte da solução, mesmo com pequenos gestos.
E podemos começar por um conceito que, à partida, pode parecer complexo, mas é na verdade bastante simples: a economia circular. Economia circular é um conceito estratégico que assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Em contrário à economia linear que assenta num sistema que tem por hábito a prática de "extrair-produzir-descartar".
O nosso estilo de vida atual promove modelos de consumo que têm um custo elevado para o planeta e, consequentemente, para a sociedade. Através de conceitos de economia circular podemos continuar a usufruir dos vários benefícios da sociedade moderna, mas com a consciência de que é urgente assegurar um futuro sustentável.
O nosso papel, enquanto empresa, implica também sensibilizar a sociedade para a importância de produzir e consumir de forma mais responsável, nunca perdendo uma perspetiva positiva porque já existem muitas boas ações que estão a ser desenvolvidas para que estejamos num mundo melhor.
Mas o que podemos nós, cada um de nós, enquanto elementos singulares, fazer para mudar esta realidade? É simples. Começar a ajustar as nossas práticas de consumo. E porque não começar com coisas simples e acessíveis a todos? Reciclagem. E podemos começar com coisas simples, como dar a alguns objetos uma segunda vida, transformando-os em artigos reutilizados.
Todos temos algum artigo que ainda está em ótimo estado, mas já não utilizamos. Seja porque é algo que comprámos e afinal acabou por deixar de servir ou porque é uma daquelas prendas com que nunca nos identificámos. Um dos casos mais simples é a reciclagem de roupa, que além de ser uma forma de combater o desperdício permite-nos também escoar peças da chamada fast fashion, um modelo em que os produtos são fabricados, consumidos e descartados constantemente e com muita rapidez.
De acordo com a organização não governamental Ellen MacArthur Foundation, a produção de roupa quase duplicou nos últimos 15 anos. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a indústria da moda é responsável por entre 2% e 8% das emissões globais de carbono, com grande impacto sobre o clima. Por outro lado, muitas destas peças de roupa acabam no lixo. A agência também observou que o número de vezes que uma roupa é usada antes de ser descartada diminuiu 36%.
Para combater esta realidade, comprar roupa reutilizada já não é só uma forma de poupar, mas começa também a ser uma tendência. E quem fala de roupa, também fala de calçado, livros, peças de decoração, e até artigos de maior dimensão como móveis ou eletrodomésticos.
A compra e venda de artigos reutilizados não só permite o acesso a artigos de qualidade a preços mais baixos, como aporta vantagens ambientais ao contribuir para a economia circular, proporcionando uma segunda vida a peças que, de outra forma, teriam o seu fim.
Neste sentido, na Wallapop, enquanto plataforma de compra e venda de artigos reutilizados, quisemos compreender as motivações, necessidades e comportamentos dos jovens entre os 18 e os 34 anos no momento da compra, especialmente em relação a sustentabilidade, compra de produtos reutilizados e compras online ou em loja. E focámo-nos especialmente nos jovens porque são o futuro da sociedade e, muitas vezes, os aceleradores de tendências. E percebemos que 61% dos portugueses que pertencem à Geração Z (idades entre 18 e 24 anos) e aos Millennials (idades entre os 25 e os 34 anos) mostram-se disponíveis para comprar produtos reutilizados. Então, porque não começar já a vender esses artigos que tem aí por casa em vez de simplesmente os colocar no lixo?
Rob Cassedy, CEO da Wallapop