A pandemia de covid levou ao aumento do consumo de internet, tanto fixa como móvel, que alcançou um recorde no ano passado, segundo dados da Anacom (Autoridade Nacional de Comunicações), que esta quinta-feira divulgou o relatório "O setor das Comunicações 2021".
Segundo o documento cada acesso de banda larga fixa (BLF) gerou em média 240 GB por mês, o que representa um máximo histórico, com um crescimento de 21,3% relativamente a 2020.
Também a banda larga móvel (BLM) bateu recordes, uma vez que cada utilizador atingiu em média os 5,9 GB no ano passado, o que significa um aumento de 24,1% quando comparado com 2020.
Já no tráfego médio por acesso, o efeito da pandemia em 2021 levou a um aumento de 32,6% no caso da Internet em local fixo (em 2020 tinha subido 32,8%). O relatório da Anacom dá conta de que o serviço de voz fixa registou um aumento de 23,9%, para 21,8% em 2020 e o de voz móvel cresceu 6,7% (em 2020 aumentou 9%).
Já no que aos serviços Over The Top (OTT, ou serviços que permitem consumir conteúdos pela internet), a Anacom destaca o aumento de consumidores que fizeram chamadas de voz ou vídeo, utilizando a internet. Este aumento representou mais 10% face a 2020 e mais 27%, que em 2019.
Também no ano passado, cerca de 66% dos utilizadores destes serviços fizeram chamadas de voz/vídeo pela Internet (mais 11% que em 2021). E 75% usaram o serviço instant messaging o que representa mais cinco pontos percentuais do que no ano anterior.
Os serviços de videostreaming on demand (plataformas como a Netflix) foram subscritas por 26% de indivíduos em 2020 (+16% que em 2018). A Anacom frisa que "50% do tráfego de banda larga fixa tem origem no videostreaming, sendo que este peso corresponde a 53% para tráfego móvel". Segundo a reguladora das comunicações em Portugal, ultrapassou a média da União Europeia em 7%, passando para a nona posição do ranking da utilização deste tipo de serviços. Dos serviços OTT que registaram maior crescimento destacam-se frequência de cursos online, a compra de produtos e Internet banking, com 6%, 4% e 4% respetivamente.
O tráfego de dados móveis cresceu 31,9% (28,1% em 2018) na sequência do aumento de utilizadores deste serviço. Neste setor existiu um crescimento de 10,6%, no ano passado, "influenciado pelas alterações de comportamentos associadas à pandemia da Covid-19", refere a Anacom.
Portugal é o terceiro país da União Europeia no ranking na velocidade de download de banda larga fixa. Cerca de 86% dos acessos tinham velocidades anunciadas iguais ou superiores a 100 Mbps. Neste caso a velocidade média aumentou 33,2% face a 2020, tendo atingido 205 Mbps (154 Mbps no ano anterior)
A Anacom estima que no final do ano passado cerca de 5,9 milhões de alojamentos estavam cablados com uma rede de alta velocidade, mais 3,3% que no ano anterior. A cobertura de redes de alta velocidade foi de 92% dos alojamentos, mais 3,1% que no final de 2020. Os três operadores do Serviço Telefónico Móvel (STM) em Portugal disponibilizam atualmente redes LTE (Long Term Evolution) com níveis de cobertura acima dos 90% da população.
A Anacom refere que o INE (Instituto Nacional de Estatística) declara que em comparação com dezembro de 2020, o mesmo mês do ano passado, a variação de preços das telecomunicações foi de 1,1%.
"Desde novembro de 2017 que a variação dos preços das telecomunicações em termos homólogos é inferior ao crescimento do Índice de Preços no Consumidor (IPC)", diz a reguladora que afirma que os preços aumentaram depois de fazer a comparação dos mesmos entre 2009 e 2021.
A Anacom relembra que nos estudos da Comissão Europeia, Portugal encontra-se, na sua maioria, inserido nos grupos "dispendioso" e "relativamente dispendioso".
A reguladora relembra que as obrigações ditam que a cobertura 5G deve abranger 75% da população das freguesias de baixa densidade e das freguesias das Regiões Autónomas e que atualmente a cobertura a nível nacional é acima de 50%.