Varela: "Financiamento cruzado entre BES e Banif servia para enganar regulador"

BES emprestava à família do grupo Banif e o Banif emprestava à família do grupo Espírito Santo e assim se contornavam as normas
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António Varela, antigo gestor do Banif nomeado pelo Estado, detalhou aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Banif que as práticas de financiamentos cruzados existentes entre o Banco Espírito Santo e o banco madeirense não eram mais que "uma forma de enganar o regulador".

Segundo o também ex-administrador do Banco de Portugal, e dadas as limitações legais dos bancos para financiar os seus próprios acionistas, o BES e o Banif avançaram com um sistema em que, os primeiros financiavam os acionistas dos segundos e vice-versa. Ou seja, o BES dava crédito à família Roque e o Banif dava crédito à família Espírito Santo.

"Era como o Banif emprestar à família Roque e o BES a emprestar dinheiro à família Espírito Santo, e nas mesmas condições", prática "que não é mais do que enganar o regulador", explicou.

Questionado sobre se estas práticas não configuram crime, António Varela apontou que não, devendo antes resultar na aplicação de contra-ordenações eventualmente puníveis e que esta prática de "financiamentos cruzados" já existia há alguns anos entre as instituições.

Um dos momentos mais decisivos para o desfecho do Banif foram as perdas que o colapso do universo Espírito Santo teve nas contas da instituição madeirense, aumentando o nível das imparidades do Banif já no final de 2014, ou seja à entrada para o último ano de vida da instituição.

O peso do BES nas contas do banco madeirense chegou a ser apontada como a razão para o Banif não ter conseguido reembolsar a última tranche dos instrumentos híbridos subscritos pelo Estado, tendo esta falha provocado o avanço da investigação aprofundada por parte das autoridades europeias.

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