Em Portugal foram vendidos 400 microcarros nos primeiros sete meses do ano. Este é um crescimento de 23,8% face ao mesmo período do ano passado. Mas o perfil dos compradores está a alterar-se. Vulgarmente conhecidos como papa-reformas, estes quadriciclos são cada vez mais papa-mesadas.
“O público-alvo ainda são as pessoas mais idosas, mas há cada vez mais jovens, com carta de moto, interessados e já representam parte das nossas vendas”, adianta Carlos Bony. O responsável comercial do grupo Ligier em Portugal refere que os mais novos compram cada vez mais estes veículos. Só não consegue calcular quantos sejam, porque “há muitos registos feitos em nome dos pais”.
Nuno Pires, da Aixam Portugal, destaca que “a evolução do design”, com linhas cada vez mais desportivas, “permitiu a abertura deste mercado para pessoas com carta a partir dos 16 anos”.
Estes veículos tem preços ; de venda superiores a 11 mil euros, o equivalente a um utilitário a gasolina.
Mas “esta é a nova moda social para os jovens, sobretudo de classe alta. É o fruto proibido para conduzir aos 16 anos”, diz o representante da Aixam. Com a mesma idade e com o mesmo tipo de carta de condução, por exemplo, já podem conduzir uma moto de 125 cc, que custa bastante menos. “Só que os pais preferem dar um minicarro, ; porque consideram ser mais seguro do que uma moto”, justifica Nuno Pires.
Os números da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) apontam para uma recuperação deste nicho de mercado, que tem vendas já equivalentes às dos carros elétricos, que também continuam a subir nas vendas.
Há mais minicarros a saír dos concessionários desde 2013, ano em que se venderam apenas 421 quadriciclos. No final do ano passado, foram registados 744 quadriciclos em 12 meses.
Mas Nuno Pires recorda: “há 20 anos vendiam-se três mil unidades por ano”. Na altura, o registo destes carros era feito junto das câmaras municipais. Mas há cerca de dez anos as matrículas destes carros passaram a ser também feitas junto do Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
Os quadriciclos dividem-se em duas categorias: os ligeiros, com velocidade máxima de 45km/h, um motor de 5,4 cavalos e dois lugares; e os pesados, com velocidade máxima de 80 km/h, motor de 22 cavalos e quatro lugares. Ambos têm uma regra em comum: não podem circular em autoestradas e vias equivalentes.
O mercado dá maior preferência aos quadriciclos ligeiros, que têm maior valor de retoma e também gastam menos combustível, sobretudo nos motores a gasóleo. O Aixam Coupé GTI, o Ligier JS 50 Sport e o Microcar Go Highland X estão entre os minicarros mais vendidos em Portugal. Estes modelos, atualmente, já permitem instalar opcionais como ligação à internet e a outros equipamentos multimédia, o que também contribuir para o interesse dos mais jovens. Estes, deverão ser o motor do aumento das vendas até ao próximo ano. A partir de 2017, prevêem os representantes das duas marcas mais vendidas em Portugal, os números devem estabilizar.
Quem os pode conduzir?
Há duas cartas de condução mínimas que permitem a condução dos minicarros em Portugal. A AM, que habilita qualquer pessoa, a partir dos 16 anos, a circular com um quadriciclo ligeiro; e a B1, que permite que qualquer pessoa, também a partir dos 16 anos, além de conduzir um quadriciclo ligeiro, também possa circular com um quadriciclo pesado. Este é o primeiro passo antes de ter a carta de condução B, a partir dos 18 anos, para conduzir carros ligeiros.
Os três modelos mais vendidos, de dois lugares, custam entre 11300 e os 12750 euros.