A construtora Edifer ainda não conseguiu pagar os salários em atraso e não tem expectativas de quando o conseguirá fazer.
Numa nota enviada aos colaboradores, a presidente do conselho de
administração do grupo, Vera Pires Coelho, explicou que "a situação de
tesouraria continua insustentável", mas que "os accionistas e a administração do grupo tudo estão a fazer para
que se consiga que esta situação tenha uma evolução positiva e rápida".
"Durante os últimos meses fomos pagando a todos os trabalhadores do grupo com muito esforço e tentando que todas as operações das empresas corressem com normalidade possível nesta conjuntura muito difícil", diz Vera Pires Coelho nessa nota interna a que o Dinheiro Vivo teve acesso.
E acrescenta: "Temos carteira de obras, temos uma actividade internacional com sucesso,
temos um conjunto de trabalhadores muito competentes e dedicados, mas
não estamos a conseguir desbloquear os fundos necessários para
regularizar as dividas que temos para com todos vós".
De acordo com esta responsável, a administração tem "vindo a procurar soluções alternativas de financiamento,
nomeadamente junto da Banca e do Fundo de
Consolidação do Sector da Construção, recentemente criado", mas "a libertação das verbas necessárias para retoma da normalidade está dependente do fecho destas negociações".
É nesse sentido que Vera Pires Coelho pede aos colaboradores para não desistirem nem deixarem de acreditar "no futuro do grupo e de Portugal".
De acordo com Vera Pires Coelho, esta situação "resulta da seguinte espiral negativa: clientes importantes não nos pagaram, em consequência temos vindo a atrasar pagamentos aos nossos fornecedores que são determinantes para a nossa actividade e começámos a registar quebras na produção das nossas obras com a facturação a diminuir sistematicamente mês após mês".
Em simultâneo, repara na mesma nota, "o mercado da construção parou em Portugal e não existem novas oportunidades de angariação de obras que permitam alimentar a capacidade instalada no sector".