A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) destacou esta terça-feira, 13 de janeiro, que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul pode ter um impacto “particularmente relevante” para Portugal, em setores como o do vinho, azeite ou frutas.“Para Portugal, o impacto pode ser particularmente relevante. O acordo permite o acesso privilegiado a um mercado de cerca de 270 milhões de consumidores, dos quais mais de 210 milhões falam português, com especial destaque para o Brasil, onde existe uma forte afinidade cultural com Portugal”, assinalou, em comunicado.A confederação liderada por Álvaro Mendonça e Moura sublinhou que o mercado brasileiro valoriza a gastronomia portuguesa e reconhece a qualidade dos produtos nacionais, o que constitui uma vantagem competitiva face a outros Estados-membros.Para a CAP, entre os setores que podem beneficiar diretamente deste acordo estão o vinho (atualmente com direitos aduaneiros entre 18 e 35%), azeite (10%), frutas (10%) e tomate preparado (13%), uma vez que este permite a eliminação dos direitos aduaneiros e de outros obstáculos ao comércio, nomeadamente regulamentos e procedimentos administrativos.Já no que diz respeito às importações, a CAP referiu que alguns produtos são “potencialmente sensíveis”, como as carnes de bovino, suíno, aves, mas também o arroz e o mel.“O contingente estabelecido para a carne de bovino, que agora fica com taxa reduzida, é de 99 mil toneladas, o que representa cerca de 1,4 % do consumo europeu e menos de metade do volume médio que hoje, antes deste acordo, já se importa do Mercosul”, exemplificou.No entanto, a CAP ressalvou que a União Europeia garantiu cláusulas de salvaguarda rigorosas para proteger os produtores e garantir melhores conduções de concorrência.Entre as regras introduzidas pelo acordo, conforme apontou, está o cumprimento de normas sanitárias e fitossanitárias da UE, mecanismos de controlo e rastreabilidade reforçados, compromissos ambientais e a possibilidade da suspensão de preferências comerciais em caso de cumprimento das regras acordadas.A CAP defende assim uma monitorização constante dos mercados e um controlo rigoroso da aplicação do acordo, que “garanta que os agricultores europeus não são prejudicados nos produtos que podem ser sensíveis”.O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul.."É um passo histórico." Conselho da União Europeia anuncia aprovação de acordo comercial com Mercosul. Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.O acordo UE-Mercosul permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.O ministro da Agricultura aplaudiu, na sexta-feira, o acordo e destacou o impacto importantíssimo para Portugal, que poderá agora saldar o défice com este mercado.“Regozijo-me com esta aprovação dos Estados-membros. Quando estive no Parlamento Europeu, estive muito empenhado na concretização deste acordo, que considero muito positivo para a União Europeia, Mercosul e Portugal”, afirmou, na altura, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, em declaração aos jornalistas, em Lisboa.José Manuel Fernandes lembrou que existe um défice de 500 milhões de euros na balança comercial em relação ao Mercosul e que este acordo vai permitir saldar esse valor..Da redução das tarifas à polémica questão agrícola. Tudo sobre o acordo comercial entre da UE e o Mercosul