Alemã FRS navega para receitas acima dos dois milhões com cruzeiros ‘corporate’ no Tejo
DR

Alemã FRS navega para receitas acima dos dois milhões com cruzeiros ‘corporate’ no Tejo

A companhia de navegação com sede na Alemanha, que opera cruzeiros turísticos no rio Tejo há cinco anos, está a apostar no segmento de negócios para combater a sazonalidade. Grupo perspetiva um aumento das receitas de 50% este ano
Publicado a

A simbiose entre as águas do rio Tejo e a cidade de Lisboa como pano de fundo foi o mote que convenceu, em 2021, o grupo alemão FRS a dar o salto para a internacionalização em Portugal. Cinco anos após a entrada no mercado nacional, a companhia de navegação, com sede em Flensburg, perspetiva atingir os 2,25 milhões de euros em receitas em 2026 na operação portuguesa - o que se traduz num crescimento de 50% face a 2025. O salto será sustentado pela crescente aposta no turismo MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions), que representa já uma fatia de 30% nas contas globais.

Os primeiros anos de atividade na capital fizeram-se a bordo de um navio-cruzeiro com capacidade para 140 passageiros, num investimento que ascendeu aos 27 milhões de euros. O negócio arrancou com a oferta de passeios de barco, que percorrem alguns dos pontos turísticos mais emblemáticos da cidade, dirigida ao turismo de lazer. A estratégia do grupo afinou-se em 2024 com a chegada da segunda embarcação, com capacidade para 380 pessoas, preparada para acolher várias tipologias de eventos.

O segmento corporate assumiu-se como o alvo principal, abrindo caminho a um novo eixo de crescimento. A aposta no turismo de negócios tem sido suportada pelo incremento da procura por parte de empresas e agências internacionais, principalmente do Reino Unido e da França, que apostam em experiências diferenciadoras para grupos.

Entre os principais clientes estão companhias que organizam conferências, reuniões de gestão ou viagens de incentivo, bem como agências de viagens e operadores de incoming, que incluem passeios no Tejo como parte dos seus programas.

O novo modelo tem sido vital para impulsionar as receitas e alargar a operação para além da época alta. “Um dos objetivos era também combater a sazonalidade, porque o barco descapotável está mais orientado para os meses de verão e o segundo, que conta com um espaço fechado, permite um outro tipo de oferta. No inverno, o turista não se lembra de andar de barco, mas as empresas precisam de um espaço para ter reuniões ou para juntar várias pessoas de uma forma diferente”, explica, ao DV, Pedro Vargas, o diretor de Operações do grupo em Portugal.

Os anos de pandemia colocaram travão ao turismo de negócios, mas o segmento voltou a ganhar escala nos últimos anos, num trajeto de recuperação.

Depois da covid e de tantos anos em trabalho remoto, as empresas cada vez mais percebem que é preciso um equilíbrio e procuram soluções que lhes permitam juntar as equipas”, refere. O responsável defende que Lisboa tem ainda uma larga margem de crescimento nesta franja, mas alerta que é imperativo que sejam criadas condições.

“É verdade que a cidade tem crescido muito no turismo individual de lazer, mas Lisboa tem ainda muito a ganhar na fileira dos negócios, principalmente pela sua reputação crescente para acolher grandes eventos. Precisamos, contudo, que sejam criados depois os meios necessários, seja a nível de infraestruturas ou de transporte, que permitam movimentar estas pessoas”, aponta.

Em termos operacionais, a FRS transportou cerca de 90 mil passageiros em 2025 e estima um aumento de cerca de 40% este ano. O crescimento será suportado não só pelo reforço do corporate, mas também pela expansão da rede comercial e pela diversificação da oferta.

Guerra poderá afetar procura

Apesar das perspetivas positivas, o contexto internacional levanta algumas incertezas. A instabilidade geopolítica, provocada pelo conflito no Médio Oriente, e o aumento dos custos das viagens internacionais poderão afetar a procura turística, nomeadamente em mercados-chave.

“Estas notícias causam alguma apreensão sobre os próximos meses. A nossa preocupação é que, com a diminuição do poder de compra, cheguem menos turistas. Devemos agir com alguma cautela e não desesperar, mas não fiquemos a pensar que teremos o melhor ano de sempre no turismo”, antecipa Pedro Vargas.

Já do lado da operação, não antecipa que o aumento dos preços dos combustíveis impactem de forma relevante o negócio da FRS em Portugal, uma vez que os consumos dos dois barcos são reduzidos.

O consumo dos nossos barcos foi, desde sempre, minimizado e adaptado para ter o menor impacto, quer em termos ambientais, quer ao nível de custos. Não nego que há um impacto, o custo por litro é ligeiramente mais elevado, mas como o consumo não é exagerado, acaba por ficar atenuado”.

Sobre os planos para o futuro, Pedro Vargas diz não fechar a porta a uma expansão para outras cidades, mas, para já, o foco principal é a consolidação do negócio na capital. “Recebemos um barco novo, com potencialidades diferentes, e ainda há um caminho de consolidação a ser feito e que demora o seu tempo. Contudo, estamos sempre atentos a boas oportunidades que surjam, quer no Norte, quer no Sul, quer em Lisboa, para que o negócio possa continuar sustentável e crescer”, assegura.

Alemã FRS navega para receitas acima dos dois milhões com cruzeiros ‘corporate’ no Tejo
Italianos do Nobile Group somam investimento de 77 milhões de euros em Portugal
Diário de Notícias
www.dn.pt