A DBRS é a primeira agência de notação financeira a avaliar Portugal este ano, numa revisão marcada para esta sexta-feira, 16, e os analistas ouvidos pela Lusa antecipam uma manutenção do 'rating', mas admitem uma melhoria da perspetiva.O analista da Xtb Vítor Madeira recorda, em declarações à Lusa, que em julho do ano passado a DBRS manteve o ‘rating’ de Portugal em 'A' (elevado) e, perante a nova revisão, "não é possível prever com total segurança uma alteração"."Um cenário de manutenção é perfeitamente plausível, uma vez que as agências tendem a mexer no 'rating' apenas quando identificam uma mudança material e sustentada no perfil de risco do país", nota o analista.Olhando para os indicadores macroeconómicos, o PIB "continua a crescer a um ritmo paulatino de 2,4% em termos homólogos e 0,8% em termos trimestrais", enquanto a inflação está estável e o mercado de trabalho regista uma taxa de desemprego baixa, salienta.Já no que diz respeito ao ‘outlook’ (perspetiva), que atualmente é estável, "existe a possibilidade de mudança caso a agência entenda que o balanço de riscos deixou de estar equilibrado", aponta o analista, sendo que passar a positivo "estaria alinhado com a ideia de que os fundamentais continuam a melhorar de forma consistente, como o rácio da dívida numa trajetória descendente e um enquadramento macroeconómico estável".Esta opinião é partilhada pelo diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, que diz à Lusa não antecipar que a DBRS suba o ‘rating’ de Portugal nesta revisão."O cenário mais provável, na minha perspetiva, é uma alteração do ‘outlook’ de estável para positivo, dado que Portugal continua a apresentar indicadores que sustentam essa evolução: a dívida pública mantém uma trajetória descendente, as contas públicas têm permanecido equilibradas e a previsão de crescimento segue acima da média da zona euro, em parte suportada pela execução dos fundos do PRR", argumenta o analista.Em 18 de julho, a DBRS manteve o 'rating' de Portugal na classificação de “’A’ (elevado)” e reafirmou a perspetiva estável para a notação financeira da República portuguesa.A DBRS tem uma escala de notações que vai de AAA a BBB nos níveis de investimento e de BB a D nos níveis de dívida especulativa.O 'rating' é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito. .DBRS com perspetiva neutra para dívidas soberanas aponta "riscos de recessão" em 2026