

Os salários deverão registar um crescimento médio de 3,3% em 2027, mas o aumento mediano não ultrapassará os 3%, avança um estudo da Marsh Portugal. A multinacional de corretagem de seguros e gestão de risco conclui antever-se uma moderação na evolução dos rendimentos dos trabalhadores, depois da variação média de 4,1% observada entre 2025 e 2026.
Segundo o estudo da Marsh, este aumento médio dos salários deveu-se essencialmente ao crescimento em 6,5% dos rendimentos dos trabalhadores com funções mais operacionais. Nos restantes grupos, verificou-se "uma média de 1,3%", diz. O relatório considera que esta evolução poderá estar relacionada, entre outros fatores, com o incremento do salário mínimo nacional (SMN). Este ano, o SMN subiu 5,7%, para 920 euros brutos mensais.
Em 2027, está previsto que o SMN aumente para 970 euros, conforme acordado em sede de Concertação Social. Já o objetivo para o salário médio é que suba ao patamar de 1890 euros brutos mensais em 2028, como também ficou estabelecido no Acordo Tripartido 2025-2028 sobre a Valorização Salarial e o Crescimento Económico, assinado entre o Governo e os parceiros sociais.
Em junho deste ano, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador situava-se em 1835 euros, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Já o salário mediano estava em 984 euros líquidos em 2025 (de acordo com os últimos dados conhecidos e disponibilizados pelo Banco de Portugal). Traduzindo, metade dos trabalhadores em Portugal recebia menos de 1000 euros por mês em 2025.
Com a apresentação da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2027 à porta - a data limite para entrega à Assembleia da República é 10 de outubro - , empresas e centrais sindicais vão dando voz às suas pretensões. À Lusa, a UGT defendeu que "responsabilidade orçamental e progresso social não são objetivos incompatíveis", e considerou que o Orçamento de Estado para 2027 (OE2027) "deve contribuir em simultâneo para reforçar a capacidade produtiva do país e aumentar salários, reduzir desigualdades e melhorar as condições de vida".
A CGTP reivindicou uma "nova política fiscal, de sentido contrário à prosseguida, que alivie a tributação sobre os rendimentos de quem trabalha e trabalhou e incida nos do grande capital que pagam poucos ou nenhuns impostos no nosso país", bem como o reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, com dotação de meios humanos, equipamentos e infraestruturas.
Sobre a evolução do salário mínimo nacional, as centrais sindicais advogam que "há margem" e "é um imperativo" a revisão em alta do valor previsto no acordo (subida dos atuais 920 euros para 970 em 2027). "Este é o ano em que podemos dar um salto quantitativo maior, não esperando sempre por um momento futuro para o fazer", diz a UGT. A CGTP reivindica um aumento para 1100 euros, a partir de 1 de janeiro do próximo ano.
Já as confederações empresariais afastam um eventual aumento do valor do SMN. A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) alega que "a fixação administrativa do salário mínimo esmaga a competitividade e a capacidade de valorizar os salários intermédios" e defende que "o pior inimigo do salário médio é o decreto do salário mínimo".
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) põe o ónus no cumprimento do acordo em vigor, referindo que "tem de ser analisado na sua globalidade", na medida em que o aumento para 970 euros "pressupõe a adoção de medidas de contrapartida, que promovam a competitividade da economia no seu todo".
Para a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), não estão reunidas "as condições para rever em alta o que foi acordado numa perspectiva de médio prazo", dado que "o pressuposto do aumento da produtividade não foi alcançado". A CIP garante o compromisso de "garantir o que está previsto em termos da subida do SMN", apesar "de não estarem verificadas as condições para esse aumento".
Em declarações dadas à Lusa, os patrões instam o Governo a incluir na proposta de OE2027 medidas que reduzam a carga fiscal para as empresas e promovam a habitação para trabalhadores.
O Governo e os parceiros sociais reúnem-se esta quarta-feira, 16 de setembro, em Concertação Social, num encontro que contará com a presença do ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, para apresentação de informação sobre a proposta de OE2027. Está ainda prevista a discussão sobre a transposição da Diretiva da Transparência Salarial.