

O Barómetro de Conjuntura Económica CIP‑ISEG de abril estima que o Produto Interno Bruto (PIB) terá permanecido estável nos primeiros três meses de 2026, correspondendo a um crescimento homólogo de 2,2%.
Parte deste resultado resulta de efeito de base após a contração no início de 2025 e do impacto adverso das tempestades de janeiro e fevereiro, com efeitos já integrados nas contas até março e um primeiro reflexo da eclosão do conflito no Golfo Pérsico.
A publicação refere uma queda homóloga de 4,4% na produção industrial em fevereiro — 7,6% excluindo energia — atribuída em grande medida às intempéries que afetaram a atividade no primeiro trimestre.
O relatório antevê que a ativação de programas públicos de apoio e o pagamento de indemnizações pelas seguradoras aliviem parte do choque negativo sobre o crescimento ao longo do ano.
O barómetro assinala ainda que, em março, a inflação acelerou 0,6 pontos percentuais e a variação homóloga dos preços na produção industrial subiu 3,5 pontos, movimentos explicados quase exclusivamente pela componente energética.
Rafael Alves Rocha, diretor‑geral da CIP, sublinha, no documento, o risco de contágio do choque energético. “A persistência do choque no preço dos produtos energéticos tenderá a propagar‑se à economia, aumentando os custos de produção e condicionando as decisões de investimento”, realça. Acrescenta que as medidas governamentais até agora são insuficientes e reclama “apoios diretos às empresas nacionais mais afetadas”.
No agregado dos indicadores de confiança, o trimestre registou uma deterioração moderada do clima económico e do sentimento dos consumidores e empresas, tendência que se acentuou em março.
Contrariando o padrão geral, alguns indicadores setoriais surpreenderam positivamente, com destaque para a produção e venda de automóveis ligeiros e o forte crescimento homólogo das vendas de cimento em março (+26,1%).