

A guerra comercial força a Europa a procurar alternativas aos EUA, a vários níveis. Com o euro digital cada vez mais próximo, o BCE quer acelerar o processo, de forma a fugir à dependência das duas maiores redes de pagamento na economia europeia, que são ambas... norte-americanas.
Desde a Índia ao Mercosul, são vários os parceiros comerciais com quem as instituições europeias estreitaram ligações nos últimos meses. Na origem está o clima de tensão comercial, que tem por base o isolacionismo americano acelerado por Donald Trump, presidente dos EUA. O cenário obriga UE e Banco Central Europeu a procurarem alternativas.
Entre as necessidades consideradas mais urgentes está o aumento de soberania europeia. Esta vertente vai desde o setor da Defesa ao setor financeiro. É neste último que se integra o euro digital, que está nos planos há vários anos mas promete agora ser um gamechanger.
Em causa está um plano do BCE no sentido de juntar as transações digitais num só sistema, que será supervisionado por aquela instituição. Este permitiria fugir à flutuação das decisões de Trump no que diz respeito a sanções comerciais que envolvam a Visa e a Mastercard.
As duas empresas são líderes nas redes de cartões de pagamento e estão sediadas em território norte-americano, pelo que são um possível veículo para sanções de Trump, como foi o caso recentemente.
É que o juiz francês Nicolas Guillou foi sancionado pelos Estados Unidos e está impedido de realizar transações através da Visa ou Mastercard. A decisão partiu precisamente de Donald Trump e está ligada ao trabalho de investigação do juiz sobre Israel e a Palestina, em representação do Tribunal Penal Internacional (TPI).
Assim sendo, não pode fazer pagamentos com cartões de débito ou crédito, mesmo que tente realizá-los através do telemóvel. A situação renovou preocupações associadas à soberania europeia e o próprio Emmanuel Macron, presidente francês, pediu a Trump que levante as sanções.