BCE adverte que riscos para bancos europeus vêm do exterior

Vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE diz que "os eventos geopolíticos tornaram-se um fator estrutural que afeta os riscos dos bancos tanto direta quanto indiretamente".
Sede do BCE, em Frankfurt.
Sede do BCE, em Frankfurt.Dirk Claus/ECB
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O vice-presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Frank Elderson, alertou esta quarta-feira, 28, que os bancos europeus estão expostos a riscos externos, particularmente geopolíticos, e urgiu o setor a preparar-se e evitar a complacência.

Num depoimento perante a Comissão de Assuntos Económicos e Monetários, antes da sua recondução no cargo, Elderson sublinhou que "o setor bancário europeu enfrenta um ambiente externo complexo, com riscos que têm maior probabilidade de decorrer de choques externos do que no passado" e, portanto, o setor deve continuar a fortalecer a sua resiliência.

"Em primeiro lugar, devemos fortalecer a resiliência dos bancos às perturbações geopolíticas e às incertezas macrofinanceiras. Os eventos geopolíticos tornaram-se um fator estrutural que afeta os riscos dos bancos tanto direta quanto indiretamente", disse o economista holandês.

A este respeito, observou que o BCE avaliará os cenários geopolíticos específicos de cada instituição e o potencial impacto sobre os bancos por meio de testes de ‘stress’ focados nesse tipo de riscos.

O responsável também alertou para que que, apesar da gestão de riscos climáticos ter melhorado, o impacto desses riscos intensificar-se se as medidas de mitigação e adaptação forem insuficientes e, portanto, recomendou aos bancos que os incorporem nas avaliações de risco.

A segunda prioridade do supervisor europeu para os próximos dois anos, acrescentou, será que os bancos fortaleçam a preparação para potenciais interrupções nas operações críticas, pelo que avaliarão como as instituições gerem os riscos, particularmente aqueles ligados à segurança cibernética e a sua capacidade de reportar esses riscos.

Elderson também pediu às instituições que incorporem os riscos decorrentes da inteligência artificial e dos criptoativos na gestão.

"Incentivamos a usar novas tecnologias para aprimorar os serviços e fortalecer a concorrência, mas os bancos devem inovar de forma responsável", alertou.

“O setor bancário europeu, de um modo geral, manteve-se resiliente durante alguns anos excecionalmente difíceis. Mas isso não deve levar à complacência. A nossa tarefa é identificar os riscos precocemente, agir com decisão e garantir que a supervisão permaneça baseada no risco, proporcional e o mais direta possível, mas não mais do que isso”, concluiu Elderson.

A Comissão de Assuntos Económicos e Monetários votará amanhã sobre a recondução no cargo de vice-presidente do Conselho de Supervisão até o fim do seu mandato como membro do Conselho Executivo do BCE, em 2028.

Sede do BCE, em Frankfurt.
BCE diz que impactos geopolíticos podem ampliar tensão financeira e travar crescimento

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