BCE inclinado a manter taxas e a avaliar impacto geopolítico na inflação

Banco Central Europeu toma uma decisão nesta quinta-feira e não deve mexer na taxa de depósito diretora, que está fixada em 2% desde junho do ano passado.
Christine Lagarde, presidente do BCE.
Christine Lagarde, presidente do BCE. Foto: CHRISTOPHER NEUNDORF / EPA
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O Banco Central Europeu deverá optar esta quinta-feira, 30 de abril, por manter inalteradas as taxas diretoras, enquanto avalia se o recente aumento da inflação, associado à guerra no Médio Oriente, terá carácter persistente.

A presidente Christine Lagarde salientou esta semana que a evolução descontínua do conflito — entre confrontos, cessar‑fogos e rondas de negociações — torna difícil antecipar a duração do choque e os seus efeitos económicos.

Nesse quadro de incerteza, Lagarde defendeu a necessidade de “recolher informação adicional” antes de decidir qualquer alteração na orientação da política monetária, postura que tem vindo a marcar as comunicações do BCE.

A inflação homóloga média na zona euro já subiu para 2,6% em março, acima do objetivo de 2%, e o valor relativo a abril será conhecido esta quinta-feira, durante a reunião do conselho do banco central.

Após terem ponderado uma subida em abril, os mercados passaram a precificar um movimento apenas em junho, refletindo a crescente expectativa de que o BCE privilegiará a paciência. Essa abordagem é reforçada pelas recentes declarações de responsáveis da instituição, que continuam a apontar para uma vigilância cautelosa dos dados.

Para além dos números de preços, outros indicadores económicos complicam o cenário, uma vez que os índices PMI divulgados na semana passada apontaram para uma contração da atividade na zona euro em abril — a primeira em 16 meses — com analistas a atribuírem parte do abrandamento ao impacto do conflito no Médio Oriente.

A dinâmica fraca da economia europeia torna qualquer aumento das taxas mais oneroso para a atividade.

No plano externo, a evolução dependerá, em grande medida, de progressos diplomáticos entre o Irão e os Estados Unidos, cuja capacidade de assegurar os fluxos no estreito de Ormuz é vista como crucial para estabilizar os preços energéticos — uma variável sobre a qual o BCE não tem influência direta.

Recorde-se que a principal taxa diretora do BCE está fixada em 2% desde junho de 2025. O conselho do banco central confronta‑se, assim, com o dilema entre agir rapidamente perante sinais de inflação e aguardar mais informação num contexto geopolítico volátil.

Christine Lagarde, presidente do BCE.
BCE deve manter as taxas diretoras na quinta-feira
Christine Lagarde, presidente do BCE.
BCE deve manter as taxas diretoras na quinta-feira
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