CTP pede ao Governo solução intermédia ao novo aeroporto. “Ninguém levaria a mal uma inversão na estratégia”
O apelo não é novo e ao presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) não falha a voz para pedir, reiteradamente, ao Executivo, uma alternativa à Portela, enquanto o novo aeroporto de Lisboa não for uma realidade.
“O meu apelo, e de todos os empresários do turismo, é que não haja receio em decidir, em ficar com o ónus da decisão ou em recuar um pouco. Ninguém levaria a mal uma pequena inversão na estratégia e que o Governo equacionasse o investimento numa solução intermédia, enquanto não houver aeroporto em Alcochete”, reivindicou esta quarta-feira, 11, Francisco Calheiros.
O representante dos patrões do turismo, que falava na sessão de abertura do 35º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a decorrer no Porto, frisou que a falta de uma infraestrutura aeroportuária com capacidade de resposta continua a ser a “preocupação” e a “pedra no sapato” para o setor.
Defensor do Montijo como alternativa a curto prazo, Calheiros defendeu que é imperativo que exista um reforço das ligações aéreas, para que mais aviões possam aterrar em Portugal. “Para acelerar a atividade turística, para garantir um crescimento sustentável, que dê mais valor ao setor e ao país, temos de continuar a seduzir turistas com maior poder de compra e que estejam disponíveis para pagar preços mais elevados”, justificou.
Olhando para os mercados de alto valor para a atividade, o presidente da CTP explicou que que não só é vital continuar a aposta nos turistas vindos dos Estados Unidos, mas também captar as nacionalidades dos países da Ásia, como a China, o Japão e a Coreia do Sul.
”Obviamente que as ligações aéreas têm aqui um papel determinante. As atuais ligações diretas com cidades dos Estados Unidos e com a capital da Coreia do Sul são essenciais e será até desejável haver um reforço destas ligações”, acrescentou.
Sobre a TAP, mostrou-se otimista no “papel fundamental” que a companhia de bandeira continuará a ter e que, acredita, “será reforçado e diversificado com o seu novo dono”.
Ainda no capítulo das infraestruturas, relembrou a importância da ferrovia para a mobilidade no território. “A oferta turística em todas as regiões tem crescido e é diversificada, pelo que temos de dar condições para que os turistas tenham facilidades nas ligações entre regiões e contribuir para uma mobilidade mais sustentável ambientalmente”, apontou.
“Acelerem-se as decisões que tenham de ser tomadas, acabem-se com as burocracias desnecessárias, invista-se o dinheiro que existe e está à espera de ser investido, para que se cumpram prazos e a modernização da ferrovia e o TGV sejam uma realidade”, acrescentou ainda.
Revisão da legislação laboral tem “importância decisiva” para resolver falta de mão de obra
Diante de uma plateia de 500 hoteleiros, o presidente da CTP afinou a leitura dos constrangimentos a esta franja do setor, recordando que a falta de mão de obra se apresenta ainda como um dos desafios à atividade.
Francisco Calheiros elogiou o programa de formação de migrantes “Integrar para o Turismo”, que resulta de um protocolo tripartido entre o Turismo de Portugal, a Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) e a CTP, mas salientou que é “preciso fazer mais”.
“A revisão da legislação laboral, em discussão no âmbito do denominado Trabalho XXI, reveste-se de uma importância decisiva para o futuro do emprego e da competitividade em Portugal. É uma reforma muito positiva e equilibrada. Para o setor do turismo, em particular, é fundamental que a lei laboral assegure simultaneamente a necessária proteção aos trabalhadores e a flexibilidade indispensável às empresas, tendo em conta a natureza sazonal e cíclica da atividade”, concluiu.
