Estrangeiros compraram 1392 casas em Lisboa no ano passado. Menos só em 2017

Fim dos regimes de atração de investimento imobiliário e forte valorização dos imóveis está a contrair mercado. Ainda assim, atraiu 64 nacionalidades, que pagaram um ticket médio de 632 mil euros.
Os norte-americanos foram os mais ativos na compra de habitação em Lisboa. Seguiram-se os brasileiros .
Os norte-americanos foram os mais ativos na compra de habitação em Lisboa. Seguiram-se os brasileiros . Foto: Global Imagens
Publicado a

O investimento internacional em habitação está a dar sinais de quebra em Lisboa. No ano passado, os estrangeiros adquiriram 1392 casas na Área de Reabilitação Urbana de Lisboa (exclui as zonas do Parque das Nações, Laranjeiras e Alta de Lisboa), menos 12% face às 1575 compradas em 2024, revelam os dados da consultora Confidencial Imobiliário. É preciso recuar a 2017 para se observar um menor número de aquisições (973). O capital investido por estes particulares ultrapassou os 879 milhões de euros em 2025, refletindo uma descida de 3% quando comparado com 2024. Ainda assim, Lisboa atraiu compradores de 64 nacionalidades.

Depois do crescimento contínuo no número de transações verificado até 2021 (excepção ao ano em que deflagrou a pandemia – 2020), tem-se registado uma quebra do investimento em habitação por parte de particulares estrangeiros na capital. "É inquestionável que há uma redução no número de casas vendidas", em grande medida devido ao fim dos regimes dos vistos gold e dos residentes não habituais, e para a qual também contribuiu, em 2022, o aumento das taxas de juro, justifica Ricardo Guimarães, diretor da consultora especializada em estatísticas do setor.

Apesar desta quebra na atração de investimento estrangeiro, o ticket médio pago por estes compradores rondou os 632 mil euros em 2025, um crescimento de 10%. É quase uma duplicação face ao valor médio pago em 2016 – na altura, 315 mil euros. É também nesse ano que se verifica a entrada efetiva de Portugal no radar dos investidores internacionais de imobiliário, o que coincide com a valorização galopante dos imóveis residenciais. É essa valorização, a que também se pode somar o aumento dos custos de produção, que determina o ticket médio. Não à escassez de produto. Como sublinha Ricardo Guimarães, "se há segmento que tem oferta é o orientado para a procura internacional".

Segundo afirma, Lisboa "estabeleceu-se como território refúgio atrativo para investimento internacional puramente financeiro e para habitação". Como defende, a capital "funcionava numa lógica de desconto, com o atrativo de valorização. O comprador estrangeiro era mais motivado pelo preço". Atualmente, esse investimento especulativo tem menos procura. "Hoje já não é possível. Lisboa deixou de ser um mercado barato", sublinha.

Esta paulatina descida das aquisições protagonizadas por estrangeiros é, ainda assim, desvalorizada pelo especialista. "Lisboa não perdeu atratividade", frisa. Na sua opinião, o facto de ter captado investimento de 64 nacionalidades é prova disso. Como recorda, no regime dos vistos gold verificava-se um movimento muito forte de chineses. No caso dos residentes não habituais, de franceses. Hoje, a instabilidade na Europa de Leste está a trazer outros estrangeiros, como polacos, diz. No futuro, é previsível que o investimento chegue do Golfo Pérsico. Ricardo Guimarães perspectiva que a incerteza nessa região provocada pela atual guerra vai desviar o capital para outros destinos, nomeadamente para Lisboa.

No ano passado, os norte-americanos foram a nacionalidade mais ativa na compra de habitação em Lisboa, à semelhança do que sucedeu em 2024, e até reforçaram o seu peso de 13% (correspondentes a 206 unidades) para 16% (222) no número total de casas adquiridas por estrangeiros. Seguiram-se os brasileiros (157) na lista dos principais compradores, os franceses (153), os britânicos (94), os chineses (85) e os alemães (68). A Estrela foi a freguesia que assegurou mais capital estrangeiro em habitação no ano passado, totalizando cerca de 149 milhões de euros e registando um aumento de 37% desse fluxo face a 2024. Acima dos 100 milhões de euros de investimento, destacam-se ainda Santo António (133,5 milhões, mais 20%) e a Misericórdia (104,8 milhões, mais 4,6%).

O mercado habitacional da Área de Reabilitação de Lisboa registou um investimento total por parte de particulares de 2,9 mil milhões de euros no ano passado, o que reflete uma quebra de 5% face ao exercício anterior. Deste valor, 70% (dois mil milhões de euros) foram novamente assegurados por particulares portugueses, apesar do volume investido ter sofrido uma contração de 6%. Os compradores nacionais reduziram o ticket médio em 11%, para pouco mais de 444 mil euros (30% abaixo do aplicado pelos estrangeiros), tendo acabado por comprar 4543 residenciais, um aumento de 5% face a 2024. No conjunto, Lisboa registou uma estabilização do número de operações (crescimento de 1%), totalizando 5936 transações, num ticket médio de 488 mil euros (menos 6%).

Os dados fornecidos ao DN pela Confidencial Imobiliário revelam ainda que os compradores empresariais também se retraíram no investimento imobiliário em Lisboa. No ano passado, compraram 1480 imóveis, uma quebra de 15% face a 2024, num investimento de 898 milhões de euros, menos 12%.

Os norte-americanos foram os mais ativos na compra de habitação em Lisboa. Seguiram-se os brasileiros .
Mome quer trazer para o país novos modelos de habitação
Os norte-americanos foram os mais ativos na compra de habitação em Lisboa. Seguiram-se os brasileiros .
Libertas estreia conceito “construir português” com investimento de 70 milhões no Montijo
Diário de Notícias
www.dn.pt