

Níveis históricos de emprego e escassez de mão-de-obra em indústrias chave para a economia portuguesa estão a obrigar as empresas a olhar com atenção para os trabalhadores com mais de 55 anos. “É a solução para ter trabalhadores ou não ter. De assistir ao crescimento do negócio ou não”, diz, peremptório, Filipe Ramos, líder nacional da área de outsourcing da espanhola Eurofirms.
A falta de recursos humanos é especialmente aguda nas indústrias alimentar, de transformação e hotelaria, nas empresas de logística e nos centros de atendimento (habitualmente designados pelo termo inglês contact center). Em departamentos como vendas e marketing regista-se também “uma grande escassez de talento e são áreas com muito impacto nas organizações”, sublinha Filipe Ramos.
É na região de Lisboa onde a necessidade de recursos humanos é mais aguda, diz, embora se verifique um crescente desafio também no Porto. No Algarve, a pressão de recrutamento também aumentou. Como revela, o crescimento do turismo retirou sazonalidade ao destino e deu estabilidade às empresas hoteleiras, que já não libertam como dantes equipas inteiras na época baixa. Encontrar talentos na região “tornou-se bastante desafiante”.
Seniores com experiência de trabalho acumulada e um regime de outsourcing são soluções para responder às carências atuais do mercado laboral, defende Filipe Ramos. As empresas estão conscientes das dificuldades no recrutamento de trabalhadores e, por isso, “estão cada vez mais disponíveis para receber perfis seniores”.
Como exemplifica, “há 10 anos, procuravam-se pessoas jovens e com boa imagem para os departamentos comerciais. Hoje, olha-se para os trabalhadores mais seniores, que vêm de diferentes áreas, mas que podem contribuir com a sua experiência”. Os clientes da Eurofirms estão também disponíveis a ajustar horários para uma maior conciliação entre a vida profissional e pessoal, e a aceitar trabalho remoto, afirma.
É todo um processo de adaptação num momento em que “a população disponível para trabalhar é muito reduzida”, sublinha o responsável. Na pool de talentos da Eurofirms sucede, por vezes, a pessoa contactada não dar resposta ou, de um momento para o outro, encontrar outro emprego. Um quadro que motiva a Eurofirms a procurar “os melhores perfis, independentemente das idades e das origens”. Segundo diz Filipe Ramos, a Eurofirms “nunca se confrontou com a rejeição de trabalhadores estrangeiros”. Aliás, “isso é impossível à data de hoje”.
A multinacional de recrutamento está focada em garantir os melhores perfis para as funções requisitadas pelos clientes e em aumentar a eficiência das operações. Para o responsável, o outsourcing é uma regime de trabalho que permite às empresas manter o foco nas principais atividades do seu negócio. Segundo Filipe Ramos, o modelo da Eurofirms baseia-se na identificação de profissionais com capacidade técnica e operacional para impactar os resultados dos clientes. Quando as empresas contratam a multinacional espanhola “procuram resultados. A poupança é o menos determinante na decisão de recorrer ao outsourcing”, frisa.
A Eurofirms afirma-se como parceira das empresas: é responsável pelo processo de seleção dos trabalhadores e assume a sua contratação. Mas “não olha para o outsourcing como uma alternativa facilitadora” de trabalho. Segundo Filipe Ramos, a Eurofirms procura “promover uma relação duradoura com os trabalhadores”. O outsourcing é “um modelo de continuidade”, que “dá segurança” ao profissional.
Atualmente, a Eurofirms tem 216 trabalhadores ativos em outsourcing, 34% estrangeiros, distribuídos por 56 clientes. Conta 63 trabalhadores com mais de 55 anos e 33 contratados sem termo. No ano passado, ministrou mais de cinco mil horas de formação a estes profissionais.
A Eurofirms registou uma faturação agregada de 619 milhões de euros no exercício fiscal de 2024, um aumento de 13% face ao ano anterior. No mercado nacional, onde opera desde 2013, as vendas atingiram os 87 milhões de euros, mais 23% do que em 2023. As contas de 2025 ainda não estão fechadas. Para além de Portugal e Espanha, a empresa está presente em Itália, França, Chile, Brasil e Peru.