Impacto do ataque dos EUA à Venezuela deve limitar subida do petróleo no curto prazo

Analistas dizem que o mercado já tinha em parte antecipado um cenário de conflito entre os EUA e a Venezuela e, por isso, não prevê movimentos expressivos nos principais contratos da commodity.
Impacto do ataque dos EUA à Venezuela deve limitar subida do petróleo no curto prazo
Frederic J. Brown / AFP
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A queda de Nicolás Maduro na sequência da ação militar levada a cabo pelos Estados Unidos no sábado, 3 de janeiro, gerou incerteza sobre o comportamento imediato dos preços do petróleo, mas analistas, ouvidos pela CNBC e Bloomberg consideram que o efeito pode ser contido.

Alguns dos especialistas admitem uma subida pontual no curto prazo devido à turbulência e ao carácter inesperado da operação. A maioria, porém, entende que o mercado já tinha em parte antecipado um cenário de conflito entre os EUA e a Venezuela e, por isso, não prevê movimentos expressivos nos principais contratos da commodity.

De salientar que Donald Trump justificou a intervenção ao sublinhar a subexploração das vastas reservas venezuelanas. O presidente dos EUA afirmou que "a Venezuela estava a retirar uma percentagem muito baixa da sua energia das grandes reservas de petróleo que detém", acrescentando que grandes petrolíferas explorariam a região para "trazer riqueza para o povo da Venezuela" e para aqueles que, segundo o próprio, foram "roubados" pelo regime. Trump referiu ainda o "reembolso" das instalações nacionalizadas e o pagamento dos custos da operação, bem como eventuais despesas com a "administração" do país.

Arne Lohmann Rasmussen, analista‑chefe da A/S Global Risk Management, disse à CNBC que, apesar da escala inesperada do ataque, "os mercados já haviam antecipado um conflito com a Venezuela que interromperia as exportações de petróleo". Rasmussen destacou também o contexto de excesso de oferta global e procura relativamente fraca — padrão habitual no primeiro trimestre — que tende a atenuar choques de oferta.

Fontes ouvidas pela CNBC estimam que o Brent possa registar uma ligeira descida durante a semana e em relação ao fecho de sexta‑feira, nos 60,75 dólares por barril. Os contratos futuros do petróleo caíram 18% em 2025, a maior queda anual desde 2020, devido ao aumento da oferta entre membros da OPEP+ e outros grandes produtores — cenário que se antecipa persistir em 2026.

Alguns analistas alertam que, no médio e longo prazo, a queda do regime venezuelano pode abrir espaço para o aumento da produção do país, pressionando os preços para baixo. Contudo, avisam que a recuperação da capacidade produtiva venezuelana pode levar anos, dada a necessidade de reparar infraestruturas críticas.

Refira-se que atualmente a Venezuela representa menos de 1% do fornecimento global, apesar de deter as maiores reservas do mundo.

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