

Os jovens até aos 35 anos foram o acelerador do mercado imobiliário em 2025, fruto da garantia do Estado, que veio permitir o financiamento a 100% do valor da habitação. Contudo, a aquisição da primeira casa está a consumir quase 40% dos rendimentos de muitos destes novos proprietários, bem acima da taxa de esforço ideal (um terço dos rendimentos) para assegurar uma gestão financeira equilibrada. Na rede imobiliária Zome, o ticket médio pago por esta camada populacional ultrapassou os 245 mil euros, no ano passado.
“Dos imóveis que se venderam com financiamento na Zome - cerca de 6500 -, 40% foram para jovens abaixo dos 35 anos”, revela Carlos Santos, CEO da rede portuguesa. E, para isso, foi determinante a abertura da garantia pública. Foi “a medida que mais impacto teve para essa população e nós, através da Xfin, que é a intermediária de crédito do grupo, fizemos mesmo muito financiamento”, diz. Na Zome, os jovens optaram pelas casas mais baratas e também por tipologias mais pequenas (T1 ou T2).
No ano passado, o ticket médio das transações mediadas pela Zome atingiu os 278 mil euros, sendo que o valor médio pago pelos jovens rondou os 245/250 mil euros, num exercício em que o preço das casas vendidas pela marca registou um aumento de global de 8% face a 2024. O gestor reconhece que é um preço “muito elevado” para os rendimentos destes compradores. Como diz, “um casal jovem tem rendimentos à volta dos 2000 a 2400 euros. A prestação vai buscar ali quase 40%, o que vai um pouco acima da taxa de esforço recomendada”. Ou seja, “nos primeiros 13 dias do mês, estão a pagar a casa”. Durante uns anos, “vão estar na linha vermelha”, vaticina.
A garantia pública foi, assim, também responsável por animar os resultados da Zome em 2025. A rede imobiliária fechou 11.320 transações, um crescimento de 12% quando comparado com a performance de 2024. O volume de negócios destas operações atingiu os 2300 milhões de euros, mais 26%. Em resultado desta atividade, a Zome registou uma faturação de 53,1 milhões de euros no ano passado, o que traduz um aumento de 33% face ao exercício transato.
Agora, os mais de dois mil consultores da Zome estão focados em garantir que 2026 seja mais um ano de crescimento no número de transações. Segundo Carlos Santos, “há mais imóveis disponíveis” no mercado, fruto de uma maior construção e reabilitação. A procura também não dá sinais de esmorecer. Mas o gestor não antevê subidas significativas no preço das casas. “Tenho sérias reservas sobre o aumento dos valores”, diz. Neste quadro, a Zome admite fechar 2026 com 70 agências no país (hoje, são 56) e 2500 profissionais na marca imobiliária portuguesa.
Além-fronteiras
A Zome, que iniciou atividade no início de 2019, está agora a preparar-se para ir além- fronteiras, depois de uma pequena incursão em Espanha, que acabou por não se consolidar. Uma parte do trabalho já está feita. Segundo Carlos Santos, em cima da mesa estão dois estudos, pedidos à Deloitte e à McKinsey, “para perceber quais os mercados onde o nosso modelo, processos e tecnologia poderão ter mais impacto para uma boa implementação”. Contudo, “não queremos apenas ficar por aquilo que os estudos dizem” e, por isso, “estamos a recrutar uma pessoa com alto nível de experiência para liderar este processo”, frisa.
Essa contratação deverá ficar fechada no primeiro semestre deste ano, para que o processo de internacionalização se efetive em 2027. “Era desejável que até ao fim do ano tivéssemos a primeira região já contratualizada, pronta para arrancar no início de 2027”, sublinha Carlos Santos. Os estudos apontam Espanha, Alemanha, França, Emirados Árabes Unidos e o Brasil como potenciais mercados de expansão. O gestor estava mesmo pronto para viajar para os Emirados Árabes Unidos já no fim deste mês, mas a guerra que deflagrou a 28 de fevereiro veio impedir o plano. “É um mercado muito apreciável, interessante, organizado e estruturado. Quero ver se consigo ir no final de Abril”, diz. No início, o processo de internacionalização deverá ser um pouco lento. “Estaremos a observar, a reagir, a perceber como é que nos adaptamos”, mas “a visão para daqui a cinco anos é estarmos em oito a dez” países, frisa.
Para apoiar o plano de crescimento em Portugal e também a expansão internacional, a Zome está a efetuar um investimento superior a quatro milhões de euros em novos sistemas tecnológicos, tendo por base modelos de automação e Inteligência Artificial. Como afirma, são 23 processos que vão melhorar os procedimentos internos e terão a flexibilidade para se adaptarem às práticas das novas regiões. No início do quarto trimestre deste ano, começam a ser aplicados na rede.