Mestres do Dinheiro. A aprender, desde jovens, a fazer valer cada centavo

Primeira edição do concurso promovido pelo Banco de Portugal mobiliza mais de três mil estudantes do secundário, de todo o país, que colocam à prova os seus conhecimentos sobre economia e atualidades.

Ao sinal do pivô, com um cronómetro a marcar o tempo, o desafio começa. Cerca de 30 competidores saem disparados pelos corredores do Museu do Dinheiro à procura de respostas às perguntas que vão dar os pontos deste desafio. Entram a correr pela porta de aço de seis toneladas, de1932, que guardava as reservas de ouro de Portugal - e aqui param a registar uma selfie - passam a correr ao lado da nota de 1 guan, a primeira cédula do Oriente, e dos áureos de César, as moedas cunhadas pelo imperador romano. Quem haveria de imaginar que, neste ambiente histórico, decorreria um concurso para estudantes do ensino secundário?

Esta é a final da primeira edição dos Mestres do Dinheiro, uma iniciativa do Banco de Portugal que mobilizou 150 escolas por todo o país, com a participação de 840 equipas, num total de 3.548 alunos na disputa. Foram três etapas prévias, nas quais as equipas colocaram à prova os seus conhecimentos sobre economia, finanças e atualidade, respondendo a questionários e gravando vídeos. Os cinco grupos com a melhor pontuação foram classificados para a final, realizada no Museu do Dinheiro esta semana.

Os Five Guyes, de Águeda, vencem o primeiro concurso Mestres do Dinheiro.
Os Five Guyes, de Águeda, vencem o primeiro concurso Mestres do Dinheiro.FOTO: Leonardo Negrão

“Eu recebi a notícia (da final) quando já tinha voltado à escola depois das férias da Páscoa e ficámos muito felizes, é um orgulho”, diz Carlota Chaparro, da equipa ‘Os Amélias’, da Escola Secundária D. Sancho II, em Elvas. “Tem sido um bocadinho complicado, passámos por várias fases, questionários, também não somos da área de economia, tivemos que estudar alguma parte”, confessa Ricardo Mendes, o porta-voz dos ‘Trava chip’, da Escola da APEL, na Madeira, sobre os desafios.

Mesmo difícil, todos conferem a mesma relevância a este momento. “Eu acho que, cada vez mais, há problemas económicos em Portugal e é sempre melhor que a geração mais nova venha a conhece-los para não se repetirem”, explica Lourenço Filipe, da equipa ‘Sobre-Rodas’ da Escola Básica e Secundária Dr.ª Judite Andrade, no Sardoal.

Durante o concurso, os estudantes puderam explorar o acervo do Museu do Dinheiro.
Durante o concurso, os estudantes puderam explorar o acervo do Museu do Dinheiro.FOTO: Leonardo Negrão

A final tem, além da etapa de percorrer o museu em busca das respostas aos enigmas, uma etapa buzzer, em que é preciso apertar o botão, posicionado no centro da mesa, o mais rápido possível e responder à pergunta no ecrã. E a última e mais complexa fase, a argumentação, na qual os grupos recebem um estudo de caso e constroem um argumento baseado na análise àquela situação. Quais são os potenciais efeitos da subida da inflação no orçamento e nas escolhas de uma jovem que está a começar o ensino superior? É mais vantajoso estudar perto ou longe de casa? São questões no dossier que recebem. O escrutínio vem de cada elemento do júri, integrantes dos mais variados setores do banco, que confrontam os jovens com os possíveis cenários e pedem possíveis respostas.

“É, de facto, importante que os mais jovens, desde cedo, entendam que todas as decisões que tomamos, nas nossas vidas, acabam por ser determinantes para o sucesso e para as oportunidades que surgem a seguir às que estamos a analisar num momento específico”, afirma a vice-governadora do Banco de Portugal, Clara Raposo.

A final dos Mestres do Dinheiro foi realizada no Museu do Dinheiro.
A final dos Mestres do Dinheiro foi realizada no Museu do Dinheiro.FOTO: Leonardo Negrão

No final, a vitória vem para ‘Os Five Guys’ da Escola Secundária Adolfo Portela, em Águeda. “Missão cumprida”, diz Alexandre Ferreira. “Temos motivos para estar orgulhosos, modéstia à parte. Desde a primeira fase tentámos fazer um esforço. Somos mestres do dinheiro”.

“Todos os conhecimentos mais quantitativos, que nem sempre são o forte que vem do ensino tradicional, são importantes para se qualificarem melhor. Uma pessoa que está atenta ao custo de oportunidade, quando toma uma decisão ou outra, que está atenta à forma como funcionam os juros, a inflação, como toda a economia se integra, vai conseguir, no futuro, tomar melhores decisões, ser uma pessoa mais independente, mais autónoma. Queremos formar cidadãos capazes de tomar boas decisões”, completa a vice-governadora.

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