

A agência de notação financeira Moody's decidiu esta sexta-feira, 22 de maio, manter o 'rating' (avaliação) de Portugal em "A3", com perspetiva estável, sublinhando que esta classificação reflete uma economia competitiva.
"A notação de crédito de Portugal […] em A3 reflete uma economia competitiva e diversificada, níveis de rendimento 'per capita' relativamente elevados e instituições sólidas", apontou, em comunicado.
Contudo, sublinhou que o rácio dívida pública/PIB (Produto Interno Bruto) ainda se mantém elevado face a países com semelhante classificação, embora tenha diminuído desde o pico de 2020.
A agência perspetiva que esta tendência decrescente se mantenha e que a capacidade de pagamento da dívida continue também "amplamente estável".
No que se refere ao crescimento do PIB real, a expectativa da agência mantém-se "praticamente inalterada" em 2% até ao final da década.
Os "fatores demográficos internos desfavoráveis" vão continuar a ser compensados pela imigração e por melhorias na qualificação.
Para o corrente ano, a Moody's antecipa uma desaceleração temporária do crescimento para 1,6% devido ao mau tempo e ao impacto do conflito no Médio Oriente.
A agência de notação financeira disse também antever um défice de 0,4% do PIB este ano e de 0,5% em 2027, também fruto dos danos causados pelas tempestades e pelo impacto da guerra, bem como das reduções de impostos, aumentos salariais no setor público e maiores despesas sociais.
Já o 'outlook' (perspetiva) estável reflete que os riscos para o perfil de crédito de Portugal estão equilibrados, apesar da incerteza política.
"[…] O cenário político mais fragmentado pode reduzir a eficácia das políticas ao longo do tempo, uma vez que a divergência de opiniões entre o Governo minoritário e os partidos da oposição sobre as políticas económicas e fiscais e sobre a imigração pode aumentar", apontou.
Em novembro de 2025, a Moody's deixou inalterada a classificação da dívida soberana de Portugal em "A3", com a perspetiva "estável".
Este ano, a DBRS já se pronunciou duas vezes sobre o 'rating' de Portugal, depois de em janeiro ter sido a primeira agência de notação financeira a avaliar a dívida soberana, deixando inalterada a classificação, e em maio melhorou a perspetiva para positiva.
Já a S&P, em fevereiro, e a Fitch, em março, mantiveram a classificação, mas melhoraram a perspetiva para positiva.
O 'rating' é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito.