"Os preços já estão a ser inflacionados" nos serviços de construção em Leiria, avança Henrique Carvalho, diretor executivo da Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria. "Nos trabalhos de construção é imediato", frisa. "Há muita procura e a variável preço é a menos relevante" nesta altura. Este aumento de preços deve-se essencialmente à mão de obra, aponta. Nos materiais, tem-se verificado "um controlo relativo" dos custos.
A depressão Kristin provocou "muitos milhares de sinistros", entre habitações e empresas. "A situação é gravíssima", frisa Henrique Carvalho.
As empresas de construção da região estão a tentar dar resposta, mas "já estavam cheias de trabalho, com obras do PRR, que tem prazos apertados, e de habitação", diz. Para além que "são poucas na região, com pouca mão de obra e muito trabalho".
Henrique Carvalho revela que as grandes empresas da construção têm marcado presença na região e deverão ter um atuação relevante. "É importante este movimento, mas face à calamidade não é suficiente", considera. E é preciso trabalhar com a variável tempo: o tempo meteorológico e o tempo que irá demorar a reconstruir a região, faz questão de sublinhar.
"Vai demorar alguns meses até que a situação se resolva. É preciso atuar nas maiores urgências", apela.
Mas o que mais preocupa a Nerlei é a falta de energia elétrica. "Essa é a questão mais critica", frisa. "Há empresas a trabalhar com geradores, com custos enormes de combustíveis, e isso é uma solução que só pode ser vista como provisória. Os geradores, que não fornecem energia de forma constante, têm até danificado alguns equipamentos".
Como frisa, "as empresas estão a fazer o seu melhor para conseguir operar e para conseguir voltar a trabalhar".
Henrique Carvalho defende que resolver o fornecimento de energia às casas e às pessoas deve ser a prioridade. Depois, avançar para os outros problemas.