

A presidente da empresa Redeia, Beatriz Corredor, acredita que os sistemas elétricos espanhol e português formam uma "formidável máquina de geração de energia renovável de que a Europa necessita", numa entrevista à agência de notícias EFE.
A responsável da 'holding' que controla a Rede Elétrica de Espanha defendeu também que o Velho Continente necessita de uma maior expansão das interligações para alcançar um mercado único de energia.
Segundo Corredor, para Espanha “todas as interligações são benéficas até se atingir o nível mínimo considerado aceitável pela União Europeia”, sobretudo se a região aspira a alcançar um mercado único europeu de energia.
Para que tal aconteça, o nível de interligação entre os países “deve ser mais ou menos equivalente”. Ou seja, que em quatro anos, até 2030, é preciso “ter pelo menos 15% de interligação em relação à capacidade instalada”.
Mas Espanha e Portugal, bem como a Península Ibérica, ainda estão abaixo dos 3%, o que gera uma série de desvantagens. Em primeiro lugar, existem desvantagens económicas, porque a energia espanhola e portuguesa é geralmente mais barata do que nos países vizinhos, mas não pode ser distribuída para o resto do continente. Em segundo lugar, existem deficiências técnicas, porque as interligações proporcionam uma maior segurança para todos os sistemas.
No primeiro aniversário do apagão na Península Ibérica, que aconteceu em 28 de abril de 2025, Corredor comentou o memorando de entendimento entre Espanha e Irlanda para explorar uma futura interligação elétrica, afirmando ser impossível discutir prazos, uma vez que tal projeto "exige uma análise muito aprofundada".
O acordo, assinado há uma semana, estabelece o quadro inicial de cooperação, por um período renovável de três anos, para desenvolver atividades conjuntas que viabilizem este projeto.
Nos termos deste documento, os dois países incumbiram as suas respetivas empresas de transmissão de eletricidade (Red Eléctrica, em Espanha, e EirGrid, na Irlanda) de colaborarem e determinarem o potencial da interligação, abordando questões-chave como os custos e os desafios técnicos, e de apresentarem as suas conclusões num relatório para ambos os governos.
Corredor explicou que, no caso de potenciais projetos de infraestruturas transnacionais como o que está a ser considerado, para além de estudar a sua viabilidade técnica, tendo em conta as peculiaridades dos cabos submarinos — especialmente o seu peso — deve também ser realizada uma análise de custo-benefício.
Este estudo é o que lhes permite garantir que um sistema interligado "será melhor para os consumidores e para todos", prosseguiu a presidente da empresa-mãe da Red Eléctrica, sublinhando que projetos como este exigem "análises bastante aprofundadas" e, por conseguinte, "são processos demorados".
"O acordo com a França para a interligação através do Golfo da Biscaia envolveu muitos anos de análises e, mesmo assim, o traçado teve de ser modificado em 2019 devido a novos aspetos técnicos do leito marinho", explica Corredor.
“É verdade que a tecnologia evolui, mas os cabos submarinos são muito pesados e instalá-los a tais distâncias e profundidades é algo que, tecnologicamente, ainda não foi alcançado”, sublinhou.
Em suma, continua, estas infraestruturas "garantem uma maior eficiência de preços e uma maior competitividade para os consumidores e para as indústrias", pelo que se deve continuar a pressionar para atingir os níveis adequados.
Para já, a nova interligação com a França através do Golfo da Biscaia está prevista entrar em funcionamento até ao final de 2027, embora atinja apenas 5%.
Corredor assegura que existe interesse de outros países nestas iniciativas e sublinha o valor do conceito de "Uma Europa. Um Mercado" (One Europe. One Market), do italiano Enrico Letta, e defende a conclusão da "união energética" do continente como uma prioridade para o clima, a competitividade e a segurança.