

Bancos digitais de peso lá fora continuam a chegar a Portugal. A Trade Republic, sediada na Alemanha é o caso mais recente.
A fintech anunciou nesta quinta-feira, 16 de julho, o lançamento de uma sucursal em Portugal, mediante autorização do Banco de Portugal (BdP). A decisão de avançar neste âmbito vai permitir que os clientes recebam o salário na respetiva conta, entre outras vantagens.
Ao Dinheiro Vivo, Pablo López Gil-Albarellos, country manager da Trade Republic para Portugal e Espanha, explica que Portugal "tornou-se um dos grandes mercados" do banco. "A falta de competidores que pagam juros" foi um fator que chamou a atenção dos responsáveis.
A partir desta quinta-feira, os clientes da Trade Republic passam a poder ter um IBAN português (PT50) associado à conta à ordem. Esta última funciona com cartão de débito (permite transferências e pagamentos, tal como qualquer o cartão de qualquer outro banco) e dá direito a remuneração de juros sobre a totalidade do saldo.
Neste capítulo, novos clientes beneficiam de uma TANB de 3%, até 50 mil euros. Para montantes superiores, aplica-se a taxa de juro definida pelo Banco Central Europeu (BCE), atualmente em 2,25%. Os juros são pagos mensalmente.
Gil-Albarellos deixa a mensagem de que "há uma alternativa em que as pessoas conseguem obter quase todos os serviços bancários gratuitamente", ou seja, sem as habitais taxas da banca tradicional (inclusive na obtenção do cartão de débito).
A Trade Republic está presente em 18 países e tem planos para entrar em "mais alguns países" até final de 2027. Globalmente, conta com mais de 10 milhões de clientes e um volume de 150 mil milhões de euros em ativos sob custódia.
Em Portugal, a Trade Republic passou de 100 mil para 200 mil clientes "em menos de um ano", fez saber. O objetivo passa por duplicar novamente, para um total de 400 mil, nos próximos 12 meses. Para já, não está na calha a sincronização com o MB Way, mas a empresa aguarda feedback e depois vai decidir "se o fazemos, ou não", informa o responsável.
Entre os principais adversários que a Trade Republic encontra em Portugal, surgem nomes como Revolut, moey e Wise. Ainda assim, o responsável prefere olhar para este cenário de outro prisma. Questionado pelo DV sobre qual o maior rival da Trade Republic em Portugal, reiterou que é o dinheiro que está em contas à ordem, que não gera rendimento e perde valor para a inflação.
"Todo o dinheiro que está parado", atira Pablo López Gil-Albarellos. São "muitos milhões de euros dos portugueses que estão a perder valor", salienta. Recorde-se que, no final de fevereiro, eram 201,1 mil milhões de euros depositados em depósitos sem juros, de acordo com os dados do Banco de Portugal. À data, foi o valor mais elevado de sempre.
Sem balcões físicos, o apoio ao cliente é feito em formato totalmente digital, através da app da Trade Republic. De resto, o mesmo acontece na generalidade das empresas do setor, em Portugal e no estrangeiro.
Para já, a Trade Republic não vai entrar no mercado do crédito e não coloca uma data para o fazer, em Portugal ou em qualquer outro mercado - tanto no crédito ao consumidor, como no crédito à habitação. Ainda assim, é algo que está pensado.
"Não sabemos como, quando, ou em que países, mas talvez a determinado momento o façamos [dar entrada no crédito]", esclarece. Recorde-se que o crédito é uma das grandes vertentes do negócio da banca tradicional.