"Poupanças? Portugueses não têm opções sólidas quando olham para a banca tradicional", diz Trade Republic

O banco e corretora paga 2% ao ano e promete manter-se ao nível dos juros do BCE. Em simultâneo, assinala o aumento do apetite por ativos de investimento, em particular ligados a Wall Street.
Pablo López Gil-Albarellos é country manager da Trade Republic para Portugal e Espanha.
Pablo López Gil-Albarellos é country manager da Trade Republic para Portugal e Espanha.
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Os investidores em Portugal continuam a ver-se condicionados por taxas baixas e muito dinheiro que pouco ou nada rende nos bancos tradicionais. A proposta da Trade Republic visa alterar este panorama, ao mesmo tempo que insiste na importância de investir nos mercados de capitais.

Esta é a perspetiva partilhada por Pablo López Gil-Albarellos, country manager da Trade Republic em Portugal e Espanha, à conversa com o DN e DV. Trata-se de um banco que funciona também como corretora e permite investir em ETFs (fundos cotados em bolsa), ações e obrigações, independentemente do valor com que se começa.

Um dos flagelos financeiros das economias pessoais dos portugueses passa por ser o "país europeu com a menor remuneração" a nível de juros sobre os depósitos. Bancos mais recentes apresentam uma estratégia diferente, como acontece no caso da Trade Republic. Esta não apenas paga uma TANB de 2% sobre todos os depósitos (até 50 mil euros), como promete pagar, no futuro, "sempre o que o banco central nos paga".

Ora, no ano passado, os bancos portugueses "pagavam perto de zero", ao mesmo tempo que os números apontam para "muito dinheiro em contas bancárias sem o porem a trabalhar para eles". De acordo com os dados do Banco de Portugal (BdP), até ao final de fevereiro de 2026, os portugueses tinham 201,1 mil milhões de euros em depósitos, mais 4,4% do que um ano antes.

Ainda assim, o responsável acredita a consciencialização sobre este tema está cada vez mais presente na sociedade. O mesmo acontece relativamente a ativos de investimento, como é caso de ações, fundos cotados (ETF, na sigla em inglês) e obrigações

"Os investidores portugueses mais jovens ganham noção da importância de ter exposição aos mercados de capitais", começando mais cedo, de forma a conseguirem ganhos mais significativos a médio e longo prazo. A este respeito, os investidores focam-se maioritariamente na bolsa de Nova Iorque e, em particular, nas big tech.

De acordo com uma análise recente, realizada pela empresa, a idade média dos investidores está na casa dos 30 anos, em Portugal e Espanha. "Um perfil significativamente mais jovem e uma entrada precoce na construção de poupança e investimento", esclarece a Trade Republic ao DN.

Ora, entre os portugueses, as ações mais procuradas em 2025 foram as da Nvidia, Apple e Amazon, por ordem decrescente. Em simultâneo, o ETF com maior procura foi o iShares Core S&P 500 UCITS ETF, que replica o índice S&P 500 (índice de referência em Wall Street).

Na segunda posição ficou o Vanguard FTSE All-World UCITS ETF, que reúne grandes e médias empresas e tem grande exposição na tecnologia (casos de Nvidia e ASML, por exemplo). Completa o pódio o iShares Core MSCI World UCITS ETF, que replica o MSCI World Index (inclui empresas de 23 países espalhados pelo mundo).

A app da Trade Republic permite consultar a evolução dos ETFs
A app da Trade Republic permite consultar a evolução dos ETFs

O responsável assegura ainda que as taxas que cobram nestes três ETFs são "muito baixas, em 0,15% por ano", o que permite maior investimento do que a generalidade dos ativos de investimento oferecidos pela banca tradicional.

O responsável mostra ainda ceticismo sobre CFDs, que funcionam por alavancagem sobre ativos de investimento. "Não acreditamos no mercado de ações como um casino, como um jogo", diz o próprio, pelo que "queremos promover bons comportamentos", esclarece.

O próprio lembra que, feitas as contas, estes são ativos em que a larga maioria de quem investe perde dinheiro.

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