

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, defendeu esta terça-feira, 21, que o organismo deve ter prudência na política monetária e nas taxas de juro, apesar da pressão exercida pelos conflitos na Ucrânia e no Irão.
Num pequeno-almoço organizado pelo jornal espanhol La Razón e citado pela Efe, De Guindos defendeu que a política monetária “tem de ser prudente” e manter-se atenta à duração dos conflitos e das suas implicações.
O responsável espanhol reconheceu que nenhuma decisão de política monetária pode travar “um primeiro impacto da inflação”.
De Guindos recordou que “por respeito institucional” nunca comentou as decisões do BCE sobre as taxas de juro e sublinhou que o aumento dos preços da energia “não é algo que possa ser controlado através das decisões dos bancos centrais”.
Nesse sentido, apontou que a política monetária “não é omnipotente”, uma vez que também entram em jogo as medidas dos governos dos países e a evolução do conflito.
À semelhança do que fez anteriormente, De Guindos apelou para que não se minimize a guerra na Ucrânia e considerou que a maior ameaça continua a ser a Rússia, não obstante o impacto dos preços da energia decorrente da guerra no Irão.
Luis de Guindos disse que a Europa se encontra “numa encruzilhada” e que a atenção sobre o conflito na Ucrânia, “uma ameaça existencial para a Europa”, se está a deslocar para o Médio Oriente.
A isto junta-se a necessidade de investimentos adequados na defesa, num momento em que os Estados Unidos da América recuaram no seu compromisso de defender a Europa e quando a economia europeia enfrenta outros riscos.
De Guindos lamentou ainda a ausência de uma união bancária de bens e serviços.
Além disso, abordou as diferenças dentro do próprio Parlamento Europeu, que têm dificultado a elaboração de orçamentos. Ao mesmo tempo, registou que “as boas notícias vindas da Hungria” foram atenuadas “pelas más notícias vindas da Bulgária”.