Empresas que não se adaptam aos desafios da sustentabilidade ambiental “vão morrer”, diz CEO da Renova

Redução de custos e possibilidade de adaptação aos imprevistos são as principais vantagens, para o executivo. E o caminho não vai parar com a inauguração de uma central de biomassa, na segunda-feira.
A sustentabilidade é um projeto assumido da empresa, segundo Paulo Pereira da Silva
A sustentabilidade é um projeto assumido da empresa, segundo Paulo Pereira da SilvaDR
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Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova, é muito claro na sua mensagem: o futuro das empresas passa por uma adaptação aos desafios da sustentabilidade ambiental, classificando como essencial para as manter vivas face aos desafios climáticos e à instabilidade geopolítica e dos mercados.

O executivo conversou com o Diário de Notícias após a inauguração de uma central de biomassa na Fábrica 1 do complexo industrial da empresa na localidade de Zibreira, concelho de Torres Novas. Este projeto representou um investimento de cerca de 11 milhões de euros, tendo contado com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em mais de metade, cerca de 5,8 milhões de euros.

Esta central faz também parte da Descarboniza@Renova, uma iniciativa assumida para reduzir significativamente as emissões de carbono da empresa, que tem dez milhões de atos de compra por mês e está espalhada por 70 países. Para o CEO, porém, a descarbonização também significa vantagens para a empresa no mercado global.

“É uma questão de competitividade a todos os níveis, seja de ter produtos que são mais ecológicos, portanto, mais perto de uma neutralidade carbónica, seja de a empresa ser mais competitiva ao nível de custos”, sublinhou Paulo Pereira da Silva, notando a redução dos custos com matérias-primas, por exemplo, como o gás natural, até agora a fonte principal de energia térmica na instalação.

O caminho em direção à descarbonização, destacou o CEO, iniciou-se há 12 anos e já teve um investimento acumulado de 150 milhões de euros. Sobre o futuro, o CEO aponta que o caminho vai por “mais passos deste tipo”, ou seja, “mais energias renováveis, mais paineis fotovoltaicos e baterias”.

Isto é um processo que não tem fim. Nós podemos sempre melhorar”, sublinhou, tendo a empresa instalado uma notando ainda que a Renova tenta “constantemente rever todos os processos” e “ter sempre objetivos mais apertados”.

Para Paulo Pereira da Silva, uma das ferramentas que pode servir para melhorar neste controlo dos processos de produção interna é o envolvimento da inteligência artificial para ajudar o ser humano a controlar todos os parâmetros a uma escala muito maior.

“Quando começam a ser milhares ou milhões de parâmetros, deixa de ser possível controlá-los do ponto de vista humano. Mas a inteligência artificial consegue fazer isso. Controlá-los, ter padrões e depois ser uma ajuda para as pessoas que estão a tomar decisões”, que esta tecnologia já está a ter “uma importância enorme” e pode ajudar as empresas nacionais a competir.

“Na semana passada, num congresso em Viena, não se falava de outra coisa. Quando nós vemos, às vezes. o que estão a fazer as empresas chinesas, às vezes fico um bocadinho a pensar o que é que nós temos de fazer também para poder ser competitivos com os outros”, acrescentou. “Só tenho pena da minha idade”, confessou ainda Paulo Pereira da Silva, de 65 anos.

Apesar da sua forte presença internacional, a Renova tem evitado, segundo o seu CEO, grande parte dos efeitos da instabilidade ao nível do comércio global, como a imposição de tarifas pelos EUA ou os efeitos mais diretos dos conflitos no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz.

“O nosso maior mercado é a Europa, que, apesar de tudo, tem alguma proteção. Não tem custos de transporte, que sobem quando há guerra”, afirmou o executivo, notando que os efeitos das tarifas de Donald Trump também não se fizeram sentir muito na Renova, já que a empresa não exporta “praticamente nada para os Estados Unidos”.

Ainda assim, Paulo Pereira da Silva avisa que este novo mundo mais instável traz novos desafios às empresas, notando que os gestores têm de se ir “habituando a um mundo mais desregulado”.

“Temos de ter capacidade, de ter flexibilidade, para podermos adaptar a coisas que podem mudar muito tempo, muito facilmente, de um momento para o outro”, acrescentou, frisando que a forma como se projeta o futuro de uma empresa em 2026 é diferente de como se fazia no início da sua carreira.

“Quando eu comecei a trabalhar, fazia planos a 15 anos”, contou, notando que, hoje em dia, “ninguém sabe” como vai estar uma determinada empresa dentro desse tempo.

Na verdade, advoga o CEO da Renova, atualmente é preciso perspetivar a curto prazo uma vez que não se sabe que fatores podem determinar o futuro. “Não sabemos o que é que vai acontecer. Esperemos que nada de muito grave”, referiu.

E para ser capaz de se adaptar a todos estes desafios, a sustentabilidade ambiental é vista por Paulo Pereira da Silva como essencial para que a empresa se mantenha viva

“É uma questão de [uma condição] sine qua non. É mesmo de sobrevivência. Se [uma empresa] não tiver isso, vai morrer”, confessou.

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