China terá exigido retirada de Maersk e MSC dos portos do Panamá

O episódio sublinha a crescente propensão de Pequim para exercer pressão económica sobre empresas estrangeiras em sectores que considera essenciais para a segurança das suas cadeias de abastecimento
Créditos: Maersk
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A China terá instruído as duas maiores transportadoras marítimas europeias a cessarem operações nos portos do Canal do Panamá, pouco semanas depois de estas terem substituído um grupo sediado em Hong Kong que fora expulso das terminais, avança o Financial Times (FT) esta quarta-feira, 15.

Segundo duas fontes próximas das conversações citadas pelo jornal, numa reunião com o órgão de planeamento estatal chinês, no mês passado, foi ordenado ao armador dinamarquês Maersk e à suíça Mediterranean Shipping Company (MSC) que se retirassem de imediato dos portos de Balboa e Cristóbal.

Outra fonte do FT acrescentou que lhes foi pedido que não "participassem em actividades ilegais que prejudicassem os interesses das empresas chinesas, e que respeitassem a ética comercial e as normas internacionais".

O episódio sublinha a crescente propensão de Pequim para exercer pressão económica sobre empresas estrangeiras em sectores que considera essenciais para a segurança das suas cadeias de abastecimento.

A instrução revela ainda uma escalada na disputa em torno das concessões portuárias do Panamá, num contexto em que os Estados Unidos procuram reforçar a sua influência sobre o canal e a China defende as posições das empresas chinesas nesta via estratégica.

Em março do ano passado, a CK Hutchison — fundada pelo bilionário de Hong Kong Li Ka-shing — acordou a venda das suas operações portuárias fora da China por 23 mil milhões de dólares a um consórcio liderado pela BlackRock e pela MSC, incluindo ativos no Panamá.

Créditos: Maersk
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