

A Contrastaria Portuguesa certificou 4,6 milhões de peças em 2025, mais 2,5% do que no ano anterior, apesar de a atividade ter sido afetada pela subida do ouro e da prata, disse o diretor geral, Francisco Bastos.
De acordo com informação prestada à agência Lusa pelo responsável, no ano passado, passaram pela Contrastaria cerca de 1,3 toneladas de artigos em ouro e 9,9 toneladas em prata, representando uma subida face a 2024 de 18,2% e de 11,5%, respetivamente.
Apesar da evolução positiva, a atividade ainda não retomou os valores de 2023, ano em que a Contrastaria marcou 4,9 milhões de peças, correspondentes a 1,6 toneladas de artigos em ouro e 10,2 toneladas em prata.
Desde o início do ano, o ouro tem estado a valorizar-se em cerca de 20% nos mercados internacionais, com a onça (cerca de 31 gramas) a trocar-se a valores próximos dos 5.200 dólares (cerca de 4.466 euros).
Nos últimos três anos, a cotação do metal amarelo apreciou-se em cerca de 150% e a prata em quase 200%.
"A subida dos metais tem tido um impacto grande na indústria, com reflexo na atividade da contrastaria", notou Francisco Bastos.
No final de janeiro, quando a cotação do ouro acelerou repentinamente e numa sessão superou os 5.500 dólares por onça, o impacto foi significativo.
"Sentimos uma quebra de 50% em janeiro e de cerca de 40% em fevereiro", disse o diretor-geral.
A Contrastaria, um serviço integrado na Imprensa Nacional Casa da Moeda, faz a certificação oficial de artigos em metais preciosos, garantindo o tipo e a quantidade de metal precioso de cada peça vendida em Portugal.
A marca de contrastaria consiste num símbolo para cada tipo de metal: o ouro é representado pela cabeça de carneiro, a prata pela cabeça de coelho, a platina pela cabeça de beija-flor e o paládio pela cabeça de lince.
Já a marca de responsabilidade identifica o produtor ou responsável pela introdução do artigo no mercado, através de um desenho exclusivo e de uma letra do nome ou firma do operador.
A Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP), que reúne industriais e retalhistas, encara igualmente a subida das cotações nos últimos meses "com muita apreensão", de acordo com o secretário-geral, João Rothes.
O responsável refere "alguma dificuldade em determinar o valor das peças comercializadas nas lojas", já que o preço pode variar de acordo com as oscilações dos metais nos mercados internacionais.
Apesar do pico no preço do ouro e da prata no final do ano passado, os associados não sentiram decréscimo nas vendas no último Natal, já que o ouro é encarado como "um excelente investimento e algo que não perde valor", disse o mesmo responsável.
Contudo, comerciantes e industriais não estão a investir muito em 'stocks' e trabalham com "margens mais reduzidas".
"Adquirir um quilo de ouro custa neste momento cerca de 150 mil euros. É um valor muito elevado para uma parte das empresas", explicou João Rothes.
A AORP remete para o final do primeiro trimestre uma avaliação dos desafios que a subida das cotações representa para o setor, numa altura em que a guerra no Médio Oriente também tem tido impacto nos preços, embora de uma forma ainda moderada.
"Temos reunido internamente, falámos com algumas câmaras municipais e distribuímos um questionário aos associados para fazer um diagnóstico e tomar medidas para o futuro", acrescentou o secretário-geral da AORP.
Também a Associação Portuguesa da Indústria de Ourivesaria (APIO) tem manifestado preocupação com o preço dos metais no universo de microempresas industriais que, em média, empregam duas pessoas - os artesãos que trabalham o ouro e a prata e produzem as peças para vender no retalho.
Segundo o secretário-geral, José Carlos Brito, a atividade industrial terá registado um decréscimo em 2025, ano em que se terá verificado uma quebra no consumo de ouro e de prata.
"Estamos a sentir, com bastante preocupação, o negócio muito parado", disse ainda o mesmo responsável.