Os receios ligados a conflitos armados (eventuais ou já no terreno) espalhados pelo mundo, juntamente com as novas tarifas dos EUA aos aliados da Gronelândia continuam no centro das atenções dos investidores. Este foi o ponto de partida para nova sessão agitada nos mercados de capitais.Na terça-feira, 20 de janeiro, o ouro e a prata carimbaram belíssimas performances, de tal forma que registaram máximos históricos. Em causa estão valorizações de 3,29%, até aos 4.746 dólares por onça de ouro e de 6,42% até aos 94,22 dólares por onça, no caso da prata (ambos são negociados em dólares, à escala internacional), à hora de fecho das bolsas europeias. Mas o que está na origem das mexidas?Os futuros dos dois metais são ativos de refúgio, o que significa que os investidores preferem alocar lá o capital, em comparação com outros ativos como são os mercados acionistas, em períodos de maior incerteza. Significa isto que períodos de maior tensão económica ou política tendem a alavancar as negociações.Nesse sentido, 2025 foi um ano particularmente benéfico para ambos, que acumularam máximos históricos. O ouro avançou 64% e o cenário não se alterou no novo ano, na medida em que já regista um incremento de 10%. A prata mostrou uma volatilidade maior e terminou o ano passado com uma valorização de 147%, enquanto que nos primeiros 20 dias de 2026 houve uma subida de 32%.Neste momento não se trata tanto da guerra no leste europeu e do projeto imperialista da Rússia como no ano passado (ainda que o tema possa ressurgir no futuro). É que o ano ainda agora começou, mas já há vários outros focos de tensão. Por esta altura, são a Gronelândia e o Irão que estão na ordem do dia.Irão: escalada para breve?Por um lado, os conflitos no Irão já provocaram um incontável número de mortes, fruto da intenção de uma grande parte da população em derrubar o regime. Ora, no fim de semana, Trump disse que quer ver uma "nova liderança" política no país e uma intervenção militar (possivelmente idêntica àquela que foi executada na Venezuela) não parece ser um cenário descartado.No caso de os EUA avançarem com uma ação em território iraniano, as tensões poderiam escalar de forma imprevisível. O próprio Irão já avisou que, se assim for, vai atacar as bases militares norte-americanas no Médio Oriente, o que leva a crer que o choque entre EUA e Irão veio para ficar, pelo menos enquanto Ali Khamenei se mantiver na liderança deste último.Gronelândia: bate-boca e tarifasNo âmbito da Gronelândia, o caso é muito diferente, mas há um denominador comum, que é especialmente visível desde segunda-feira: reina a incerteza..Gronelândia agita mercados. Setor automóvel abre semana com perdas fortes de até quase 5%.Donald Trump reforçou a intenção de tomar o controlo daquele território, que pertence à Dinamarca (membro da NATO), com alguma autonomia. O próprio falou de um alegado risco de Rússia ou China invadirem a Gronelândia, algo que o presidente dos Estados Unidos quer evitar e, com esse propósito, está disposto a encetar esforços para anexar o que seria um 51.º estado dos EUA.Por outro lado, a Europa opõe-se de forma veemente. Na terça-feira, Jens-Frederik Nielsen, chefe do governo dinamarquês, recordou que a Gronelândia faz parte da NATO, assim como os EUA e a larga maioria dos países europeus. De resto, nos últimos dias tiveram lugar na Gronelândia várias manifestações contra a tomada de posse do território por parte dos norte-americanos.Tudo isto está ligado a um anúncio feito por Donald Trump no fim de semana. O líder dos EUA fez saber que vai aplicar tarifas de 10% às importações que chegam de oito países. As mesmas subirão até 25% no dia 1 de junho, caso não haja acordo para "a compra completa e total da Gronelândia". Os alvos são a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.Posto isto, está formado um clima de 'guerra fria', que fez tombar as principais bolsas nas duas primeiras sessões da semana. O medo dos investidores faz cair o apetite pelo risco e o capital migrou para os futuros de ouro e prata, que são estão entre as principais reservas de valor. Outro ativo historicamente colocado no mesmo grupo é o dólar, mas este registou um sentimento totalmente distinto.Dólar recua com tensões associadas a TrumpO euro ganhou terreno face ao dólar americano na terça-feira. O binómio euro/dólar adiantava-se 0,75% à hora de fecho das bolsas europeias. Significa isto que um euro estava a ser avaliado em 1,1732 dólares.De resto, o dólar dos EUA registou um dia claramente negativo, ao recuar face a outras divisas, como é o caso da libra britânica, o iéne japonês, o dólar canadiano.Os mercados aguardam novidades sobre estes temas e as atenções estão agora voltadas para o Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em Davos, na Suíça. Para esta quarta-feira, está agendado um discurso de Donald Trump, sobre o qual recai grande expetativa..Europa quer “manter a calma” enquanto discute resposta à “chantagem” de Trump sobre a Gronelândia