

A retoma sazonal está a intensificar a procura de mão‑de‑obra no turismo em Portugal. Entre maio e setembro de 2025, a Eurofirms — People first geriu mais de 12 mil vagas nos sectores da hotelaria e restauração, um aumento superior a 30% face ao mesmo período de 2024, e integrou cerca de sete mil profissionais, o que representa uma subida de mais de 20% nas contratações.
A pressão recai sobretudo sobre os perfis operacionais, sendo que os empregados de mesa, empregados de andares, cozinheiros e empregados de copa foram os mais requisitados ao longo da época alta.
A dinâmica do sector mantém elevados níveis de rotatividade e um predomínio de vínculos temporários e part‑time — que, segundo o IPDT (Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo), representam já cerca de 11% da força de trabalho na hotelaria e restauração —, o que condiciona a capacidade de retenção de equipas.
Letícia Oliveira, National Leader Hotelaria da Eurofirms, assinala que “o verão continua a ser um dos períodos mais desafiantes para as empresas da Hotelaria e Turismo, sobretudo pela necessidade de responder rapidamente a picos de procura muito intensos”.
Para a mesma responsável da Eurofirms, “já não basta garantir volume de contratação, as empresas procuram profissionais cada vez mais preparados, capazes de assegurar qualidade de serviço, consistência operacional e capacidade de adaptação”.
Apesar do peso continuado das funções operacionais, há uma procura crescente por perfis mais qualificados e com responsabilidades de supervisão. “Nas operações da Eurofirms temos registado um aumento na procura por perfis técnicos e intermédios, particularmente em áreas como cozinha, housekeeping e front office, com destaque para funções de supervisão e coordenação operacional”, refere ainda Letícia Oliveira.
Os indicadores macroeconómicos sublinham a relevância do sector, uma vez que o Consumo do Turismo no Território Económico representou quase 17% do PIB em 2024, totalizando 47,2 mil milhões de euros, e o setor suporta cerca de 1,2 milhões de empregos em Portugal — quase um em cada quatro postos de trabalho, segundo o WTTC.
Em 2024, o valor acrescentado bruto e o consumo turístico cresceram 6,5% em termos nominais, acima do crescimento do PIB (6,4%). Em 2025, Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes (19,7 milhões estrangeiros), com variações de +2,2% nas dormidas, +3% nos hóspedes e +5% nas receitas turísticas.
A nível global, o WTTC alerta para um desfasamento crescente entre oferta e procura de trabalho no turismo, ao sublinhar que se estima que, até 2035, a procura possa exceder a oferta em até 16%, reforçando os desafios que o sector português enfrenta em termos de atração e retenção de talento.