Corticeira Amorim: Lucros recuam para 15,4 milhões no 1.º trimestre mas margens resistem ao "efeito dólar"

Apesar da quebra nas vendas e da pressão cambial, a líder mundial da cortiça demonstra resiliência e reafirma confiança no valor da empresa com programa de recompra de ações de 25 milhões de euros.
As vendas da Corticeira também caíram quase 10%.
As vendas da Corticeira também caíram quase 10%. FOTO: Arquivo DN
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A Corticeira Amorim anunciou, esta segunda-feira, um resultado líquido de 15,4 milhões de euros relativo ao primeiro trimestre de 2026, o que representa um recuo de 6,5% face ao período homólogo, de acordo com o comunicado oficial enviado à CMVM.

No entanto, os números revelam uma estabilização da performance do grupo de Mozelos, que tinha fechado o ano de 2025 com uma queda nos lucros superior a 20%.

As vendas consolidadas do grupo fixaram-se nos 211 milhões de euros, uma diminuição de 8,0% em comparação com os primeiros três meses de 2025. Segundo a informação facultada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), este desempenho foi fortemente condicionado por um "contexto global desafiante" que afetou os volumes em todas as unidades de negócio.

Um dos principais obstáculos foi a desvalorização do dólar face ao euro. A empresa detalha que, excluindo este efeito cambial negativo, a queda real das vendas teria sido limitada a 6,8%. A exposição ao mercado norte-americano, um dos pilares da exportação da corticeira, acabou por retirar brilho nominal às contas do trimestre.

Citado no comunicado, o presidente executivo (CEO) da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, afirma que o ano arrancou “com um contexto global bastante adverso e de incerteza, que impactou a confiança de uma grande maioria dos clientes, em particular daqueles cuja atividade se vê afetada pela alteração de hábitos de consumo de bebidas alcoólicas”.

Ainda assim, e apesar da situação geopolítica, da guerra e dos seus impactos na inflação global, Rios de Amorim acredita numa “reação ao longo do ano que tentará contrariar as perspetivas mais negativas”.

Já na unidade de negócio Amorim Cork Solutions, o segmento de pavimentos “contribuiu decisivamente” para a redução de 5,8% das vendas.

“Do nosso lado, estamos a adaptar a Corticeira Amorim às atuais circunstâncias, reforçando a solidez do nosso balanço e lançando ações para podermos crescer mais nas áreas com maior potencial de desenvolvimento da empresa”, refere.

“As nossas pessoas, a proximidade aos clientes, o portefólio de produtos, a diversidade de mercados e geografias e o potencial reconhecido nas vantagens competitivas da cortiça são, para nós, um motivo de grande esperança que deverá permitir-nos escalar na nossa atividade”, acrescenta.

A "vacina" estratégica: Recompra de ações e dividendos

A divulgação destes resultados surge apenas 24 horas após a administração liderada por António Rios de Amorim ter anunciado um ambicioso programa de recompra de ações próprias no valor de 25 milhões de euros.

Para os analistas, este movimento funciona como um sinal de confiança inequívoco: ao adquirir até 2,26% do seu próprio capital num momento de pressão nos resultados, a empresa sinaliza que considera o valor das suas ações subavaliado pelo mercado. Esta estratégia, somada ao pagamento de 46,6 milhões de euros em dividendos (0,35 euros por ação) previsto para o final de maio, serve para blindar a confiança dos investidores perante a conjuntura atual.

Eficiência operacional em destaque

Apesar da quebra na faturação, a Corticeira Amorim conseguiu melhorar a sua rentabilidade relativa. A margem EBITDA subiu ligeiramente para 17,3% (contra os 17,1% do ano anterior), beneficiando de uma gestão rigorosa de custos e de uma descida no preço das matérias-primas.

A solidez financeira é outro dos destaques do trimestre, com a dívida líquida a registar uma redução expressiva de 33,4 milhões de euros desde o início do ano, fixando-se agora nos 42,5 milhões de euros.

António Rios de Amorim sublinhou que, embora o arranque do ano tenha sido marcado pela incerteza e pela menor confiança dos clientes — particularmente no setor dos vinhos tranquilos —, a estrutura do grupo mantém-se robusta. A empresa foca-se agora na recuperação dos volumes e na integração de novas eficiências industriais para enfrentar o resto do ano de 2026.

As vendas da Corticeira também caíram quase 10%.
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