As empresas do índice STOXX Europe 600 deverão distribuir cerca de 454 mil milhões de euros em dividendos em 2026, um aumento de 4% face aos 437 mil milhões estimados para 2025, avança a Allianz Global Investors (AllianzGI). Em Portugal, as empresas incluídas no mesmo índice (EDP, EDP Renováveis, Galp, Jerónimo Martins e BCP) deverão pagar perto de 3,4 mil milhões, mais 8% do que em 2025 (3,2 mil milhões de euros).“A tendência altista dos dividendos na Europa mantém‑se. Ainda que o crescimento em 2026 seja idêntico ao de 2025, esperamos um avanço mais significativo em 2027, impulsionado pelo aumento dos lucros das empresas europeias em 2026”, afirma Grant Cheng, gestor de carteiras da AllianzGI. O gestor antecipa uma redução dos pagamentos no consumo discricionário — setor que inclui automóveis e bens de luxo — devido a lucros mais baixos em 2025, enquanto os dividendos continuarão a subir no setor financeiro, que deverá manter‑se como o maior pagador.A rentabilidade por dividendo esperada para as empresas do STOXX Europe 600 pode atingir cerca de 3,2% em 2026, nível comparável à yield das obrigações do Tesouro alemão a 15 anos. Para as empresas portuguesas no índice, a previsão aponta para um rendimento de dividendos de 4,3%. A Noruega deverá liderar o ranking europeu, com um rendimento previsto de 5,8%.O Estudo de Dividendos AllianzGI 2026 sublinha a importância dos dividendos como componente relevante da rentabilidade total das ações e como fonte de rendimento estável. Nos últimos 40 anos, os dividendos contribuíram com cerca de 39% do retorno anualizado das ações europeias (MSCI Europe); em comparação, representaram quase 21% na América do Norte e mais de 49% na Ásia‑Pacífico.“Os dividendos contribuem significativamente para a rentabilidade total e, graças à sua política de distribuição firme, também trazem estabilidade à carteira”, diz Hans‑Jörg Naumer, autor do estudo. A análise mostra que os maiores pagadores de dividendos têm maior exposição a serviços públicos, telecomunicações e bens de consumo essenciais, enquanto os menores pagadores estão mais presentes na tecnologia e na energia.O estudo nota ainda que, nos últimos 20 anos, a maioria das empresas do STOXX Europe 600 aumentou progressivamente os dividendos, reforçando o papel destes pagamentos como uma “segunda fonte de rendimento” para investidores..Dividendos altos ameaçam futuro das empresas