

A multinacional espanhola Molins, que anunciou esta sexta-feira, 19, a compra da cimenteira portuguesa Secil, está presente em 13 países de quatro continentes e desembarcou em Portugal em meados deste ano, com a aquisição da Concremat, especializada na pré-fabricação de betão.
O grupo Molins, fundado em 1928 na Catalunha, no nordeste de Espanha, com o nome Cimentos Molins, é hoje uma multinacional do setor da construção que, a par do negócio do cimento e betão, se dedica também à produção de agregados, pré-fabricados de betão e outras soluções para a construção.
Segundo dados da empresa, em 2024, o negócio de pré-fabricados já representou 16% do total da faturação do grupo (cerca de 220 milhões de euros), enquanto o cimento e o betão geraram 70% das vendas.
O presidente executivo da Molins, Marcos Cela, disse em junho passado, quando a empresa anunciou a compra da Concremat em Portugal, que a industrialização "é fundamental para oferecer casas mais eficientes e com prazos de entrega mais curtos".
Segundo Marcos Cela, o plano estratégico do grupo passa pelo objetivo de fazer crescer as áreas especializadas em soluções para a construção para além do negócio tradicional de produção de cimento e betão, nomeadamente, a aposta num modelo de construção industrializado, atendendo à necessidade de acelerar a oferta de casas em países como Espanha, que lidam com uma crise na habitação, e de questões ligadas à sustentabilidade.
"Portugal é um mercado importante no sul da Europa e a Concremat tem uma sólida trajetória, capacidades industriais consolidadas e uma cultura empresarial que se alinha perfeitamente com a da Molins", disse então Marcos Cela, citado pela imprensa espanhola.
Com cerca de 7.000 trabalhadores em todo o mundo, o grupo Molins está atualmente em 13 países - Espanha, Portugal, Bósnia, México, Argentina, Uruguai, Bolívia, Colômbia, Croácia, Turquia, Tunísia, Bangladesh e Índia, segundo a informação disponível na página na Internet da empresa.
Com a compra da Secil - que prevê estar concretizada no primeiro trimestre de 2026 -, a Molins espera expandir-se para o Brasil, disse a empresa num comunicado divulgado hoje.
O Brasil é o único grande mercado da América Latina em que ainda não está presente.
A Molins prevê, por outro lado, que a Secil contribua de forma "imediata e sustentada para os resultados" do grupo "desde o primeiro ano", tendo em conta "um importante potencial de sinergias", entre outros aspetos.
O grupo Molins teve lucros de 141 milhões de euros nos primeiros três trimestres deste ano (janeiro a setembro), menos 8% do que no mesmo período de 2024, uma queda que a empresa justificou com um impacto negativo da desvalorização nas moedas do México e da Argentina, dois dos mercados em que opera.
A multinacional faturou 1.004 milhões de euros até setembro (menos 2% do que em 2024), num período em que o EBITDA (resultado antes de pagar juros, amortizações ou impostos) foi 263 milhões de euros (menos 4%).