O Grupo Hotusa olha para os países do sul da Europa como destinos turísticos de "refúgio" e aponta um futuro risonho para o mercado português, pelo que quer ver um crescimento das marcas que representa, no mesmo. Ainda assim, reconhece um cenário de incerteza a curto prazo.
A Hotusa começou por ser uma empresa de prestação de serviços para hotéis. Na atualidade, o grupo com o mesmo nome divide-se em dois grandes ramos. A Keytel (antiga Hotusa) presta serviços para cerca de 4 mil hotéis em mais de 100 países. Conta ainda com uma cadeia hoteleira que dispõe de 300 hotéis, dos quais 24 em Portugal... mas o número não deve ficar por aqui.
Em entrevista ao DN e DV, o próprio explica que "o futuro de Portugal vai estar muito ligado ao turismo e nós queremos crescer no país", tanto por aquisição de hotéis, como pela construção dos mesmos.
"Estamos ativamente à procura de novas oportunidades, não apenas em Lisboa e no Porto, como noutras cidades mais pequenas e em destinos de férias", acrescenta. Ainda assim, não e garantido que estas surjam em 2026, mas podem até acumular-se de forma consecutiva, esclarece.
O responsável perspetiva "um grande futuro" para o turismo em Portugal. Ainda assim, para que seja aproveitado todo o potencial do setor, "é importante que as infraestruturas públicas estejam à altura" da indústria do turismo.
"Se queremos hotéis de cinco estrelas, temos que ter infraestruturas de cinco estrelas, no mais amplo sentido da palavra", sublinha. Neste âmbito, deixa exemplos como "aeroportos, comboios e autocarros", que também funcionam como "geradores de riqueza" para um país.
É que, na visão do próprio, "o turismo tem que gerar um contributo muito importante para o PIB e para a transformação do país", beneficiando de ser "atrativo até para as empresas", das grandes corporações às startups.
"Tanto em Portugal como em Espanha, a reflexão mais importante é sobre a enorme transformação" que converte estes países em "destinos de qualidade" para fazer turismo.
Olhando para o caso do mercado espanhol, que conhece mais a fundo do que o português, Amancio López reitera que o setor "está a orientar-se para produtores de mais qualidade e maior valor acrescentado, o que é muito importante porque o número de visitantes não é infinito", recorda.
Simultaneamente, "é importante que os turistas tenham maior poder aquisitivo [vulgo dinheiro], que logicamente gera riqueza; não apenas em hotéis, mas restaurantes e lojas", a título de exemplo.
Operação em crescimento, mas há dúvidas a curto prazo
Na perspetiva do responsável, o Grupo Hotusa "tem um grande futuro", depois do crescimento de 7% em vendas no ano passado. Uma subida que resulta sobretudo do "crescimento na cadeia hoteleira, no segundo semestre, em que incorporamos um importante número de hotéis", reforça.
Já em 2026, o presidente do grupo espera ver o crescimento acelerar... mas com um 'senão'.
"Em condições normais, se a guerra não afetar demasiado, teremos um crescimento muito mais relevante, pelo menos na cadeia hoteleira, onde acreditamos que podemos crescer acima de 15%", diz. Ainda assim, esta métrica fica dependente dos efeitos da guerra no Médio Oriente.
Amancio López lembra que o conflito pode afetar o turismo por inteiro e reconhece que a operação global da companhia não fica imune. O cenário "depende de como evolui e dos preços dos combustíveis, como isto vai afetar as viagens, os transportes, as companhias aéreas e os preços", assegura. Ainda assim, "prefiro pensar que a longo prazo tem um grande futuro", diz ainda.
Neste contexto, os países do sul da Europa emergem como destino "refúgio", sobretudo em função da paz em que vivem, com "segurança nas ruas, nos hospitais e boas infraestruturas", salienta. Tudo junto, há "muitos fatores garantem que o turismo em Portugal vai continuar a crescer durante muito tempo", atira.