

Num contexto de elevada procura e escassez de oferta de casas, "é urgente conseguir dinamizar a oferta", na perspetiva de Paulo Macedo. Sobre os alertas do Banco de Portugal, o próprio aponta para o desemprego em "níveis históricos".
O CEO da Caixa Geral de Depósitos não tem dúvidas de que são necessárias "mais medidas do lado da oferta", sobretudo no que respeita a licenças para habitação. Estas não estão a acelerar, alertou o responsável, na apresentação dos resultados financeiros do banco público no primeiro trimestre, que teve lugar na sexta-feira, dia 8 de maio.
A respeito de medidas do Governo, o próprio não esquece que a garantia pública “tem impacto no preço das casas”, mas argumenta que a mesma deve manter-se até que haja "oferta suficiente". Em causa está a garantia destinada a jovens dos 18 aos 35 anos, referente à compra de uma primeira casa para habitação própria permanente, com o Estado a entrar como fiador em até 15% do valor da transação.
A garantia tem impacto em "milhares de famílias, designadamente jovens, que não teriam casa e que estão a ver o problema resolvido", assinalou. Posto isto, "sou totalmente favorável a que esta garantia cesse do lado da procura quando houver uma oferta suficiente", acrescentou, alertando para a necessidade de as medidas já aprovadas na Assembleia da República serem postas em prática "num tempo razoável", de forma a que haja um aumento da oferta de habitação. Entre os que fazem uso desta, a Caixa contou com uma quota de mercado de 30,8%, no ano passado.
Todo o cenário levanta alguns riscos, na perspetiva do Banco de Portugal. Em abril, o governador daquela instituição, Álvaro Santos Pereira, sinalizou que o futuro pode reservar um 'travão' aos empréstimos que recorrem à garantia. Questionado pelos jornalistas sobre esta matéria, Paulo Macedo sublinha vários fatores.
De acordo com o CEO, o crédito malparado "está aos níveis mais baixos de sempre", tal como esteve em 2024, visto que "o desemprego está a níveis históricos", ou seja, num patamar muito baixo. Este cenário permite que os casos de incumprimento registados pelo banco público sejam quase inexistentes. O próprio não vê, por isso, a mesma dose de risco do que Santos Pereira, no que diz respeito à operação da CGD.
Ora, 2025 foi o terceiro ano consecutivo da Caixa a registar custo de crédito negativo. De -0,25% em 2024, melhorou para -0,29% no ano passado, de acordo com as contas. Para tal, muito contribui, de acordo com o CFO António Valente, a situação de "pleno emprego" e o aumento no rendimento disponível das famílias e empresas, de forma a responder às respetivas responsabilidades.
Olhando para as empresas portuguesas, é naturalmente crucial que não haja "um eternizar do bloqueio no estreito de Ormuz", de acordo com Paulo Macedo. Até ao momento, as mesmas "estão bastante pressionadas, mas têm cumprido os compromissos", regista.
No que diz respeito aos resultados, o lucro líquido da CGD aumentou 1%, ao atingir 397 milhões de euros no primeiro trimestre. Em contrapartida, houve uma redução de 3,1% na margem financeira estrita, que se ficou pelos 616 milhões de euros no primeiro trimestre, fruto dos cortes nas taxas de juro do BCE.
O período ente janeiro e março trouxe ainda uma queda de 2,5% no resultado líquido da operação em Portugal, fruto de uma redução de 10 milhões de euros.