

O valor económico gerado na economia portuguesa associado ao ecossistema da Microsoft foi de 7,3 mil milhões de euros no ano passado, o que equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), divulgou esta quinta-feira, 12, a tecnológica.
De acordo com o "Estudo de Impacto Económico e Social do Ecossistema Microsoft em Portugal", desenvolvido em parceria com a EY, "o valor económico gerado na economia portuguesa associado ao ecossistema da Microsoft no mercado nacional em 2025 é de 7,3 mil milhões de euros, o equivalente a 2,5% do PIB português".
A projeção de crescimento do impacto gerado pelo ecossistema da Microsoft "em toda a economia nacional é até 9 mil milhões de euros, quando a operação em Sines entrar em velocidade cruzeiro", segundo a tecnológica.
Segundo a Microsoft Portugal, estima-se "3,1% PIB potencial, com o investimento no 'data centre' [centro de dados]".
"O ecossistema Microsoft gerou cerca de 35.000 postos de trabalho, de forma direta e indireta, o que inclui impacto no emprego entre clientes, parceiros e a economia geral.
"Projeta-se um aumento de 8.300 com investimentos em IA [inteligência artificial] no país", refere o estudo.
Os resultados, atualizados para o último ano fiscal, representam uma primeira leitura de um trabalho mais abrangente e incorporam pela primeira vez novas métricas relacionadas com IA, refletindo o impacto direto, indireto e induzido da atividade da Microsoft e do seu ecossistema de parceiros na economia nacional, de acordo com a tecnológica.
"A inteligência artificial generativa é a tecnologia com maior difusão da história da Humanidade", afirmou Andrés Ortolá, diretor-geral da Microsoft Portugal, num encontro com jornalistas, salientando que atualmente existem cerca de 2.000 milhões de utilizadores a nível mundial e a crescer de forma muito "acelerada".
O último estudo referente a 2021 apontava para um impacto de 4,9 mil milhões de euros, pelo que os dados de 2025 representam um aumento.
"Temos aqui o impacto em 2025, mas a nossa referência é 2024", porque em termos técnicos ainda há contas a serem fechadas neste momento, explicou Rui Faustino, da EY.
"Uma empresa por cada euro investido vai receber em ganhos de produtividade 9,6 euros ao longo do tempo", adiantou Rui Faustino, sendo que este retorno económico é proporcionado pelas soluções Microsoft.
Outros países podem seguir estratégia de Portugal e Espanha na gigafábrica de IA
O diretor-geral da Microsoft Portugal considera que outros países podem seguir a estratégia de Portugal e Espanha que acordaram apresentar uma candidatura conjunta para o desenvolvimento de uma gigafábrica europeia de IA.
Ao todo são cinco gigafábricas (gigafactories) que serão financiadas pela Comissão Europeia e Portugal e Espanha chegaram a acordo para apresentar uma candidatura conjunta para o desenvolvimento de uma gigafábrica europeia de inteligência artificial (IA).
"Acho que com a estratégia de Portugal e Espanha vamos ver os outros a seguir", referiu Andrés Ortolá, num encontro com jornalistas na sede da Microsoft em Portugal, para a apresentação do "Estudo de Impacto Económico e Social do Ecossistema Microsoft em Portugal", desenvolvido em parceria com a EY, segundo o qual o valor económico gerado na economia portuguesa associado à tecnológica foi de 7,3 mil milhões de euros no ano passado.
"Creio que Portugal tem um caso super interessante, agora com a parceria com Espanha mais interessante ainda", prosseguiu o gestor, referindo estar a seguir com atenção. "É mais um passo nessa mudança na economia portuguesa", afirmou.
A Microsoft Portugal está "assessorar tecnicamente" Portugal, referiu, salientando que a tecnológica está a falar com as partes do consórcio, incluindo Banco do Fomento, Governo, e a partilhar as suas opiniões.
"Não é um desenho fácil, não só técnico", mas desenho económico, e de negócios e "estamos a colaborar com muitos 'players'", acrescentou o diretor-geral.
"Gosto muito da candidatura portuguesa", é que a tem mais diversidade, disse.
Quando Sines atingir o pico ['full pick’], uma grande parte "das consultas de IA europeias" vão passar por ali.
O que "significa que Portugal tem de jogar na 'Champions League' da IA regional; não podemos ter problemas de comunicação, não podemos ter problemas de segurança, não podemos ter problemas energéticos, esse é o jogo que temos de jogar", sublinhou.
Agora, "estamos a jogar e a jogar bem", reforçou o responsável.
Quanto ao desafio da Microsft Portugal, é ser fornecedor de confiança do país.
A Microsoft "está a investir muito na inteligência artificial", disse, salientando que esta não é uma empresa de IA.
"É uma empresa que está a trazer a IA para o fluxo de trabalho", apontou.
O diretor-geral manifestou-se otimista com o Plano Nacional para a Inteligência Artificial português.
"Creio que Portugal pode ser um mercado onde todas as empresas tecnológicas podem ter um valor importante", rematou.
Quanto à IA portuguesa Amália, disse que a empresa está a trabalhar com o Ministério da Educação para ter produtos para o LLM [Large Language Model ou, traduzindo, grande modelo de linguagem] português "de forma segura".
"A Amália está a ser integrada no processo educativo, já há alguns protótipos a sair, estou super interessado que Amália chegue" à escola, acrescentou.
Quanto ao evento Bridge AI, que arranca hoje, o gestor disse que neste encontro será abordado o que está a ser feito em IA.