O grupo de jornalistas que continuam a trabalhar na revista Visão lançou uma campanha de crowdfunding para arrecadar 200 mil euros e conseguir comprar o título e manter a sua publicação. "O objetivo é garantir algum apoio para podermos ir à luta e, se houver leilão, podermos ter uma proposta vencedora, que permita continuar a Visão como ela existe", explica ao DN o diretor da revista, Rui Tavares Guedes.Em causa está a possibilidade de irem a leilão, já nas próximas semanas, os títulos detidos pela Trust In News, empresa que teve o seu encerramento determinado pela Justiça em junho passado, com o chumbo do plano de insolvência apresentado em tribunal.Após a decisão judicial, a Trust In News anunciou o despedimento coletivo dos 80 trabalhadores do grupo. Entretanto, alguns jornalistas da Visão decidiram continuar. "Temos estado a trabalhar já depois de a empresa ter sido encerrada, mas nós conseguimos, junto do tribunal, a possibilidade de continuar a manter a revista. O público está a responder positivamente ao que temos feito. Queremos continuar neste caminho independente e livre, que é importante", afirma Rui Tavares Guedes.Atualmente, são 12 os jornalistas que se mantêm na Visão, em regime de teletrabalho desde agosto passado, já que a revista já não tem sede física. A equipa também conta "com muitos outros colaboradores, na maior parte dos casos até pro bono. Portanto, isto acaba por ser, também, animador, e foi isso que nos fez perceber que há muita gente a querer que a revista continue", ressalta o diretor.O valor de 200 mil euros estipulado na campanha de crowdfunding servirá para a compra do título por parte do grupo, com uma empresa formada pelos jornalistas, que será criada do zero, e para iniciar um plano de negócios que definem como "prudente e realista" com um prazo de dez anos. "Sabendo que não queremos dar um passo maior que a perna, mas sabendo que há uma viabilidade económica que é possível, como está, aliás, demonstrado. Nós estamos a trabalhar, neste momento, para a massa insolvente da Trust In News e não estamos a acumular dívidas. Pelo contrário, até o nosso trabalho tem servido para pagar alguma dívida anterior", diz o diretor, que confirma que ainda há salários em atraso.Rui Tavares Guedes não admite, pelo menos para o arranque do que será o projeto, caso a compra avance, a entrada de investidores externos. "A força da Visão é ser feita pelos jornalistas que a fazem. É isso que nós queremos, continuar a apostar na redação e fortalecê-la", explica."Temos a ideia de que não precisamos de um investimento descomunal, porque a revista tem receitas que permitem, com cuidado, adequando-se custos, fazer um produto de qualidade que está a ser reconhecido. Estamos a vender mais neste ano do que vendíamos ano passado, que é uma coisa que vai ao contrário das tendências do mercado e, portanto, acho que ainda há outras formas de, passando esta tempestade, podermos alargar a ação e as receitas, naturalmente", completa Guedes.A campanha de crowdfunding vai continuar aberta "até porque ainda não sabemos quando é que o possível leilão vai ser realizado", explica, a destacar que a iniciativa nasceu "porque ao longo destes meses tem-se tido muita gente a perguntar como é que pode ajudar", revela o diretor.Além da Visão, a Trust In News é dona das publicações Exame, Jornal de Letras, Activa, Telenovelas, TV Mais e Caras. A maior parte da dívida é detida pela Segurança Social e pela Autoridade Tributária. Na última assembleia de credores, em outubro passado, foi aprovada a avaliação das publicações, em conjunto e em separado, para o processo de venda da empresa..Trust in News. Assembleia de credores aprova cessação da atividade.Depois da Visão, jornal i chega ao fim. Passa a ser uma revista distribuída com o Nascer do Sol