

Em 2026, o mercado europeu de escritórios prepara-se para um novo ciclo de investimento, impulsionado pela estabilização das yields prime e pela recuperação da confiança dos investidores.
Portugal, especialmente Lisboa, surge como um dos destinos mais atrativos, segundo o relatório "European Office Investment - Q4 2025" da Savills.
As yields prime europeias mantiveram-se em 4,9%, com Lisboa a registar 4,75%, um valor competitivo face a Madrid (4,80%) e superior a Milão (4,25%), Paris (4%) e Londres West End (3,75%). Este cenário coloca a capital portuguesa entre os mercados com melhor equilíbrio entre rendimento e potencial de valorização.
Frederico Leitão de Sousa, responsável pelo setor de escritórios da Savills Portugal, destaca a boa performance do mercado ocupacional e um aumento das conversões de escritórios em habitação como fatores que sustentam a recuperação do investimento. "Portugal entra agora num ciclo particularmente favorável. Acreditamos que 2026 será o ano da consolidação", afirma.
O interesse dos investidores tem-se concentrado em ativos prime com elevada ocupação, conforme confirma o inquérito da INREV, que aponta para uma preferência por mercados do Sul da Europa e um interesse crescente na Alemanha, salienta o relatório.
A pressão do capital internacional está a aumentar, com um crescimento no investimento cross border. Este movimento tende a acelerar a absorção do stock disponível em Lisboa e a compressão das yields, realça o documento.
Mike Barnes, diretor de pesquisa de escritórios na Savills, refere que a escassez de espaços prime e o aumento dos custos de fit-out levam muitas empresas a renovar contratos, captando aumentos de renda. "Os proprietários conseguem assim captar aumentos de renda nas renovações", explica.
James Burke, diretor global de investimento cross border na Savills, observa que "as condições de financiamento favoráveis estão a atrair mais investidores", o que deverá aumentar os volumes de investimento em imobiliário na Europa este ano.
Segundo a Oxford Economics, prevê-se um crescimento do PIB da Zona Euro de 1% em 2026 e de 1,6% em 2027, com o Sul da Europa a destacar-se pela sua dinâmica. Portugal afirma-se assim como um dos destinos mais competitivos para o capital internacional em busca de escritórios prime, sustenta a Savills.