Lucro do Crédito Agrícola cai 34% para 289 milhões em 2025

Apesar da quebra nos resultados, o grupo registou crescimento na atividade comercial.
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O Grupo Crédito Agrícola fechou 2025 com um resultado líquido consolidado de 289 milhões de euros, uma queda de 34% face a 2024, de acordo com os números não auditados divulgados pela instituição.

O banco atribui a redução do lucro sobretudo à diminuição da margem financeira (‑127,6 milhões de euros, ou ‑16,3%), em contexto de descida das taxas de juro, e ao aumento das imparidades e provisões, que passaram de ‑1,5 milhões em 2024 para ‑64,3 milhões de euros em 2025. Apesar disso, a rentabilidade dos capitais próprios (ROE) situou‑se em 9,7%.

Apesar da quebra nos resultados, o grupo registou crescimento na atividade comercial. Os depósitos de clientes totalizaram 23,8 mil milhões no final de dezembro de 2025, um aumento de 8,2% face aos 22 mil milhões de euros do ano anterior, elevando a quota de mercado para 8,3%.

A carteira de crédito também avançou, visto que o crédito bruto cresceu mil milhões (+7,9%), para 13,7 mil milhões de euros, reforçando a quota de mercado para 6,1%.

A qualidade da carteira melhorou, já que o rácio bruto de crédito malparado (NPL) recuou para 3,7% em dezembro de 2025 (tinha sido de 4,6% no final de 2024 e de 4,2% em setembro de 2025). Os rácios prudenciais permaneceram confortáveis, com CET1 em 23%, rácio de alavancagem de 9,8%, LCR de 386,6% e NSFR de 176,6%.

Com 2,8 mil milhões de fundos próprios e 550 milhões de euros de dívida sénior emitida, o grupo atingiu um rácio MREL de 27,5%, acima do mínimo regulamentar de 25,24% em vigor desde setembro de 2025.

Em janeiro de 2026, o Crédito Agrícola realizou uma emissão de dívida sénior preferencial social de 500 milhões a cinco anos, com procura que excedeu seis vezes o montante emitido. A operação foi classificada como “Baa2” pela Moody’s.

O presidente do grupo, Sérgio Raposo Frade, afirmou que os resultados foram obtidos “num contexto marcado pela persistente redução das taxas de juro e pela elevada incerteza macroeconómica”, mencionando também tensões geopolíticas e aumento de tarifas alfandegárias. Destacou ainda o reforço das quotas de mercado sustentado numa estratégia de proximidade.

Frade salientou, por fim, que o banco activou medidas excecionais de apoio às comunidades após as tempestades recentes, incluindo flexibilizações financeiras, linhas de crédito dedicadas e reforço de equipas no terreno para acelerar regularização de sinistros.

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