A Casa Mendes Gonçalves é um grande empregador na Golegã. Quantas pessoas emprega?
Temos 420 trabalhadores. No verão, temos sempre mais alguns, porque a nossa produção aumenta, mas mantemos este nível há algum tempo. Trabalham pessoas de 13 nacionalidades na empresa.
A empresa decidiu investir em soluções de habitação para os trabalhadores. O plano abrangeu a compra de 32 casas. Porquê este investimento?
Estamos a uma hora da capital do país. Temos pessoas que querem fixar-se aqui, na Golegã. Foi também uma resposta aos trabalhadores estrangeiros, aos refugiados. Neste momento, estamos a fazer as limpezas finais numa casa que ficou pronta e outras estão ainda em obra. Vamos continuar. A Casa continuará a cuidar das suas pessoas. É importante para nós.
Qual é a política salarial da Casa?
Há já algum tempo que temos uma política de melhorar os salários dos nossos colegas, nomeadamente de não pagar o salário mínimo. Pagamos sempre acima. Os salários um pouco acima também são atualizados. Achamos obrigatória essa valorização. O nosso objetivo é pagar mais de mil euros. As pessoas têm que ter um salário condigno com a sua atividade, a sua condição de vida e evolução na empresa e na vida. E é isso que nós procuramos fazer e, como digo, estamos todos os dias a trabalhar ativamente para conseguir fazer isso. Criar rentabilidade para conseguir pagar melhores salários.
As confederações empresariais têm defendido um travão na subida do salário mínimo. Concorda?
Eu não conheço nenhuma empresa, nenhuma região, nenhum país, que se tenha desenvolvido com baixos salários. Não há ninguém que consiga provar isso. Não conheço nenhuma situação dessas. Muito pelo contrário.
Qual é a estrutura acionista da empresa?
A Fundação Mendes Gonçalves, reconhecida pela Presidência do Conselho de Ministros em março de 2024 e formalmente lançada em abril de 2025, detém 42,11%. Eu detenho a restante participação.
Porque criou a fundação?
É a nossa obrigação com esta terra, com esta gente, e é o modelo de negócio que há muito tempo escolhemos. Um grupo empresarial deve ser dirigido pelas melhores pessoas [a fundação tem órgãos administrativos e consultivos independentes, e um conselho de curadores]. O objetivo é que no futuro a fundação detenha 100% da empresa. Para a eternidade. A fundação não deve ter um prazo de solidariedade. A nossa atividade económica tem de gerar rendimento, rendimento para as nossas pessoas, para a terra e para a região, para o futuro. A fundação e as suas pessoas têm de garantir o futuro da empresa, com base nestas regras. Não por uma pessoa ou por uma família. Isto é para acontecer naturalmente. Eu espero ainda viver uns anos. Fundei a empresa com o meu pai há 44 anos e sempre foi muito claro para nós, para a família, que esse era o caminho.
A fundação trabalha três eixos: educar, regenerar e nutrir. Como se financia?
Com os resultados que a empresa liberta e com projetos que candidata a financiamento. A fundação tem conseguido as suas próprias fontes de financiamento e isso é absolutamente extraordinário, com tão pouco tempo de existência. A nossa equipa tem conseguido financiamento para projetos da área social, que concorre com outras entidades sem fins lucrativos, e parcerias. O financiamento da atividade será por estas duas vias, mas preferencialmente por esta última.
A empresa é rentável?
A vida toda. Só no primeiro ano é que não deu fruto dos investimentos.