

O líder da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, afirma que a continuidade em Moçambique, onde lidera o maior banco moçambicano, depende dos entendimentos com as autoridades nacionais e enquanto o grupo português for “bem-vindo”.
A posição foi assumida pelo presidente da comissão executiva após ter sido recebido na terça-feira, na Presidência da República, em Maputo, pelo chefe de Estado, Daniel Chapo, durante a visita que está a fazer ao país, onde a Caixa lidera o Banco Comercial de Investimentos (BCI).
“Viemos apresentar cumprimentos a sua excelência o Presidente, depois também afirmar e reafirmar o nosso interesse e o nosso compromisso em continuar a apoiar o BCI e ter a nossa presença aqui através do BCI, que é um banco moçambicano, mas que nós continuamos a pretender ser acionistas. E dissemos ao senhor Presidente da República que essa nossa intenção será enquanto as autoridades o acharem conveniente e enquanto formos bem-vindos”, disse Paulo Macedo.
O interesse na continuidade da CGD na estrutura acionista do BCI já tinha sido manifestado antes, em finais de fevereiro, a propósito da intenção do português BPI de vender a sua posição no banco moçambicano.
O BCI, o maior do país, tem um capital social de 10 mil milhões de meticais (138 milhões de euros), numa estrutura acionista liderada (51%) pela Caixa Participações, do grupo CGD, contando com o banco português BPI (35,67%) e ainda diretamente pela CGD (10,51%), entre outros, tendo fechado 2024 com 2.712 trabalhadores.
O líder do grupo bancário português afirmou ter transmitido ao Presidente moçambicano que a Caixa está no país “nos bons momentos e nos momentos menos bons”: “Tem havido um conjunto de dificuldades designadamente naturais e outras, e económicas e geopolíticas e, portanto, a Caixa percebe que é nestes momentos que também deve afirmar a sua presença”.
Com o Presidente moçambicano, chefe do Governo, Paulo Macedo disse ter abordado, sobre as perspetivas para o BCI, a possibilidade de o banco “poder ser cotado na Bolsa de Valores de Moçambique”.
“O nosso compromisso também é melhorar o serviço do próprio BCI à população moçambicana e às empresas moçambicanas e o nosso interesse em trabalhar conjuntamente com as autoridades, no interesse obviamente do BCI, mas também no interesse de Moçambique e também do Estado português”, explicou.
Segundo Paulo Macedo, no âmbito das linhas concessionais para o investimento que foram negociadas entre o Estado moçambicano e o Estado português, a Caixa “também tem uma experiência significativa” e “poderá ajudar a apoiar a concretização dessas iniciativas”.
“Como faz com outros países com os quais o Estado português tem este tipo de acordos”, concluiu.