

O grupo pesqueiro espanhol Nueva Pescanova disse à Lusa estar a fazer uma “análise estratégica” sobre o futuro da operação em Moçambique, a Pescamar, admitindo possíveis parcerias.
“Neste momento não há nenhuma negociação para a venda em marcha”, afirmou fonte oficial do grupo espanhol, questionada pela Lusa sobre recentes alegações públicas em Moçambique sobre a possibilidade de alienação da operação da Pescamar.
A fonte acrescentou que o grupo Nueva Pescanova está a fazer “uma análise estratégica do negócio”, que em Moçambique envolvia, em 2024, 26 embarcações (menos quatro do que em 2023), uma produção total de 2.918 toneladas, sobretudo camarão, e mais de 600 trabalhadores.
“E, neste contexto, a empresa poderá analisar possíveis parcerias que possam aportar valor”, disse ainda a fonte.
Em julho, o grupo espanhol anunciou um investimento de 346 mil euros na formação de instrutores, expansão da oferta académica e extensão das oportunidades de formação para desenvolver o setor pesqueiro de Moçambique.
O projeto faz parte da segunda fase da Parceria Público-Privada para o Desenvolvimento, lançada em 2019 pelo grupo para fortalecer as capacidades do setor pesqueiro e promover o emprego sustentável em Moçambique, referia uma nota da Nueva Pescanova.
"No âmbito deste novo acordo, o programa centrar-se-á no reforço da formação de formadores no Instituto de Ciências do Mar e Pesca, particularmente em áreas que não puderam ser totalmente abordadas devido às restrições impostas pela pandemia", referia a empresa.
O Grupo Nueva Pescanova é uma multinacional especializada na captura, cultivo, produção e comercialização de produtos do mar, com sede na Comunidade Autónoma da Galiza, Espanha.
A empresa previa ainda expandir a oferta académica daquele instituto moçambicano, "incorporando novas qualificações e equipamentos adaptados às demandas do mercado de trabalho e alinhados aos padrões internacionais", estender as oportunidades de treino e formação a outras regiões costeiras do país, consideradas cruciais para o desenvolvimento do setor pesqueiro, além de promover sinergias entre instituições públicas, privadas e educacionais "para aprimorar a formação técnica e facilitar o acesso ao emprego no setor marítimo e pesqueiro".
"O projeto, com um orçamento total de 346 mil euros, será implementado nos próximos anos para consolidar e desenvolver as conquistas da primeira fase (2019-2021)", explicou então a Pescanova.
A nova fase resulta de um acordo assinado em junho, em Santiago de Compostela, Espanha, entre a Fundação Nueva Pescanova e a Pescamar, subsidiária do grupo em Moçambique, juntamente com a Agência Internacional Espanhola para a Cooperação e Desenvolvimento, o Instituto de Ciências do Mar e Pesca, de Maputo, e os governos moçambicano e da comunidade autónoma da Galiza.
De acordo com a Nueva Pescanova, durante a primeira fase do projeto, já concluída, "foram lançadas as bases para o reforço das competências profissionais no setor pesqueiro, com forte ênfase na sustentabilidade, igualdade de género e respeito pelos direitos humanos".
A empresa foi fundada em 1960 e emprega atualmente mais de 12 mil pessoas em 27 países.
Após vários anos em processo de pré-falência, o grupo foi reestruturado em 2015 com a divisão em duas empresas: a Nueva (Nova, em português) Pescanova que pertence à banca e aglutina a parte produtiva, e a “velha” Pescanova, propriedade dos antigos acionistas.
A reestruturação foi aprovada em 2014 pelos principais credores da antiga Pescanova, que assim evitaram que a empresa fosse liquidada.
Em Moçambique, a empresa pesca cerca de 50% do total admissível de capturas de camarão, adiantou o responsável da empresa espanhola.