

O resultado líquido das empresas sob supervisão da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) atingiu cerca de 461 milhões de euros no final do segundo trimestre de 2026. Este desempenho reflete um crescimento significativo na produção de seguros em Portugal, que aumentou 18,1% em comparação com o ano anterior.
A ASF destacou que o ramo Vida teve um crescimento assinalável de 27,5%, alcançando 4,96 mil milhões de euros. Um segmento que se destacou foram os produtos de vida Não Ligados, que registaram um aumento bastanta significativo de 59,8%. Por outro lado, os Planos Poupança Reforma (PPR) sofreram uma queda de 29,3%.
Nos ramos Não Vida, a produção de prémios subiu 9,2%, totalizando 4,46 mil milhões de euros. Contudo, as indemnizações pagas dispararam 35,2% no primeiro semestre de 2026, especialmente devido aos impactos severos de tempestades que afetaram o país no início do ano.
Efeitos das tempestades nas indemnizações
As tempestades no início de 2026 resultaram em indemnizações particularmente elevadas no ramo de Incêndio e Outros Danos, que viu um aumento de 195,1% nas indemnizações. O rácio entre indemnizações pagas e prémios emitidos neste segmento subiu para 123,2%, refletindo a magnitude dos sinistros.
Solidez financeira em perspectiva
Apesar do desempenho positivo, a solidez financeira do setor sofreu uma leve erosão, influenciada pela crescente sinistralidade e pela volatilidade do mercado. O rácio de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) situou-se em 198%, uma diminuição de 14 pontos percentuais em relação a dezembro de 2025. O Requisito de Capital Mínimo (MCR) também caiu, agora em 523%, mas ambos os rácios permanecem acima dos mínimos regulamentares exigidos.
“Ao final do segundo trimestre de 2026, o rácio estimado de cobertura do SCR foi de 198%”, destaca a ASF, embora tenha ressaltado a necessidade de monitorização contínua da gestão de riscos.
As carteiras de investimento das seguradoras totalizavam 59 mil milhões de euros no final de junho, marcando um aumento de 4,4% em relação ao encerramento de 2025. A maioria dos investimentos continua a ser direcionada para títulos de dívida pública e privada.