"Todo o empréstimo que se faz, esperamos receber de volta", diz Azul sobre dívida da TAP

Companhia aérea brasileira reafirma confiança no processo contra a portuguesa, para cobrança da dívida de 189 milhões se euros, mesmo após MP considerar que falência da TAP SGPS não foi culposa.
Fávio Campos, vice-presidente institucional da Azul, durante comemoração pelos 10 anos de operação da companhia em Portugal, 16 de setembro de 2026.
Fávio Campos, vice-presidente institucional da Azul, durante comemoração pelos 10 anos de operação da companhia em Portugal, 16 de setembro de 2026.Foto: Leonardo Negrão
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A companhia aérea brasileira Azul continua a apostar nos trâmites da Justiça para decidir sobre a cobrança do empréstimo de 189 milhões de euros que fez à então TAP SGPS, agora renomeada Siavilo. Nesta quinta-feira, 17 de setembro, o vice-presidente Institucional e Corporativo, Fábio Campos, defendeu a posição da empresa durante uma conferência de imprensa em Lisboa.

"Todo empréstimo que se faz, espera-se que se vai receber de volta. Por isso estamos discutindo isso no âmbito judicial, não tenho muito a acrescentar sobre esse processo", declarou aos jornalistas ao ser questionado sobre a situação.

A reação surge depois do parecer do Ministério Público, revelado pelo Eco, que conclui que a insolvência da antiga TAP SGPS foi fortuita e não culposa, diferente do que alega a Azul. "O processo está caminhando na Justiça, referente ao empréstimo que a Azul fez para a TAP em 2016, e esse processo continua nos ritos da Corte, não tenho muito o que comentar porque está lá em juízo", afirmou Fábio Campos.

A Azul apresentou a 13 de março deste ano, no Tribunal Cível de Lisboa, uma petição em que reclama à TAP o pagamento dos 189 milhões de euros, decorrentes de um empréstimo obrigacionista. A companhia aérea brasileira, fundada por David Neeleman, sustenta que a TAP SGPS sempre funcionou como um veículo da TAP SA e que a declaração de insolvência da primeira só foi requerida quando tal se tornou “estrategicamente conveniente”. A Azul defende que a retirada dos ativos da TAP SGPS para a TAP SA foi arquitetado de forma a evitar o pagamento da dívida.

A empresa brasileira começou a notificar a TAP de uma série de incumprimentos contratuais há dois anos. "Em 2024, a gente começou a trabalhar, tentando conversar com a TAP para a gente resolver esse nosso ponto e isso não avançou da maneira que a gente gostaria que avançasse. Infelizmente, a gente teve que obviamente buscar o que está escrito no contrato", disse Fábio Campos ao DN/DV, numa resposta em fevereiro, altura em que a Azul concluiu o seu procedimento de recuperação judicial que correu nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11.

Parceria

A situação financeira da companhia na altura do Chapter 11 foi apontada como motivo para a pressão pela cobrança da dívida à TAP. A passagem de Fábio Campos e outros executivos da Azul por Lisboa é para marcar a celebração pelos dez anos de operação da empresa em Portugal, ocasião em que Fábio Campos aproveitou para destacar um novo momento nesta gestão.

"A Azul passou recentemente por uma reestruturação, como vocês sabem, financeira, junto a um processo nos Estados Unidos. Nesse processo, a gente teve uma mudança por completo da nossa estrutura societária. Hoje, temos dois grandes acionistas de referência, que é a United Airlines e a American Airlines, que está passando pela sua fase final de aprovação também para poder ser acionista da Azul, e diversos fundos de investimento que nós temos, em sua grande maioria, americanos. É uma empresa de novo mercado, como a gente chama, uma empresa que não tem um acionista controlador, mas sim um conjunto de acionistas que comandam a empresa baseado no seu interesse econômico", explicou o executivo.

E embora haja o diferendo entre as empresas, Fábio Campos aproveitou para reforçar que, comercialmente, as duas companhias aéreas seguem em sintonia. "Do lado da Azul, a gente tem o interesse total em continuar sendo parceiro da TAP, indiferentemente de quem seja o acionista da companhia, porque a gente realmente acredita nessa parceria, ela é muito sólida, de longa data já e a gente não vê esse cenário mudando daqui pra frente", declarou.

A parceria comercial faz com que clientes de ambas as companhias possam fazer trechos operados por uma ou outra dentro da Europa e do Brasil. "É uma parceria muito boa porque a gente consegue levar os clientes além do ponto A e o ponto B. Essa conectividade que a Azul oferece no Brasil, que ajuda muito a TAP a fazer essa distribuição no país, como também a TAP, com a malha que tem aqui na Europa, que é gigantesca, ajuda os clientes da Azul a chegarem em Lisboa, conectar e distribuir para todo o resto da Europa", afirmou Fábio Campos.

A Azul opera, atualmente, voos diários entre Campinas, no interior de São Paulo, e Lisboa e Porto.

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