

O grupo automóvel francês Renault anunciou esta quinta-feira, 23, um volume de negócios de 12,5 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um crescimento homólogo absoluto de 7,3%, apesar de constrangimentos de produção na sua fábrica de Tânger, em Marrocos.
Ainda assim, as vendas totais do grupo a nível mundial recuaram 3,3%, fixando‑se em 546.183 veículos, penalizadas sobretudo pela Dacia, cuja comercialização caiu 16,3% para 145.333 unidades.
Em contrapartida, a marca Renault registou um acréscimo de 2,2% nas matrículas, para 397.602 veículos, impulsionada pelo desempenho dos modelos elétricos e híbridos no mercado europeu, onde as vendas da marca subiram 3,8% para 255.200 unidades.
O fabricante destacou o crescimento das novas propulsões, uma vez que as vendas de veículos elétricos do grupo aumentaram 20,9% e passaram a representar 17% do total no trimestre, enquanto os híbridos atingiram 35,3% das vendas, mais 5,1 pontos percentuais face a igual período de 2025.
A Renault atribuiu parte do impacto negativo às fortes intempéries em janeiro no estreito de Gibraltar, que interromperam durante cerca de dez dias o transporte marítimo entre a Europa e Tânger e provocaram inundações nas instalações locais, levando à perda de “vários milhares de unidades” de produção.
Além de afetarem a montagem de modelos Dacia, os cortes de atividade impediram a fabrico de componentes destinados também à unidade de Pitesti, na Roménia.
Com vista à retoma, o grupo espera recuperar a produção no segundo trimestre e garante não haver constrangimentos nas encomendas, que equivalem a aproximadamente dois meses de vendas futuras.
O diretor financeiro, Duncan Minto, sublinhou que, apesar do arranque de ano difícil para a Dacia devido a fatores não recorrentes, o conjunto do grupo beneficiou de “uma dinâmica sólida em todas as marcas”.
A administração confirmou as perspetivas financeiras para 2026, mantendo uma previsão de margem operacional em torno dos 5,5%, com melhoria esperada no segundo semestre.